Da confirmação do ditado popular, à jogada eleitoralista de Basílio Horta, em Sintra

 

Se é a saúde que está em causa, como não saudar o lançamento de concursos e o início da construção de renovados, ou novos, Centros de Saúde em Sintra? Mas o saudar e congratular com esta iniciativa, implica que se atribua, em exclusivo, os méritos ao PS/Basílio Horta? Naturalmente que não. Uma recessão deste malfadado processo, assim como o da construção do, já mítico, Hospital, implica responsabilidades, inoperâncias, meias-verdades e, muita falta de vontade política dos anteriores Executivos, tanto do PS como do PSD.

Novo Centro de Saúde Sintra

Identificadas há anos as carências do sistema de saúde em Sintra, tanto a nível dos Centros de Saúde como da ausência de um Hospital, o problema serviu para alimentar (uma das já clássicas) promessas eleitorais, transformou-se em arma de arremesso inter-partidário, e serviu para expandir os lucros económicos da rede de “saúde privada”. Tudo isto para desespero e incómodos de toda a ordem dos munícipes. E aqui não há inocentes, ou seja, tanto o PS como o PSD, e os outros partidos com quem se coligaram ou que aceitaram pelouros, não podem “sacudir a água do capote”. Se o PS/Basílio Horta aparece agora a reivindicar esta “obra”, como exemplo contrário ao dos “12 anos sem obra”, não só está a deturpar a realidade, como a tentar desresponsabilizar o PS neste processo.

Saudemos pois “a obra”, esperando, sinceramente, que o afã pré-eleitoral não venha a trazer problemas para outros resolverem, como é o caso do novo Centro de Saúde de Sintra, onde não me parece acautelado o sistema de acesso e estacionamento*, mas não deixemos branquear responsabilidades passadas. Assim como não deixemos de ter presente que estes novos Centros só servirão plenamente os cidadãos, se o Hospital de Sintra se transformar em realidade. E neste particular, como não sorrir à súbita magnanimidade de Basílio Horta quando este anuncia que, se for preciso, a Câmara custeia por inteiro a construção deste equipamento? Ou seja, coerente com a sua incoerência política, o actual Presidente, fundador do CDS e eleito, por indicação do PS, foi, adaptando o ditado popular, colocando a sua proverbial arrogância política entre as pernas e, em poucos meses (e já com mais de 70 milhões nos cofres dos bancos), passou da exigência e ameaça ao governo para que construísse o Hospital, do recuo de Hospital para Pólo Hospitalar, do contributo com a cedência dos terrenos e 20% do valor da construção, para o recente anúncio de que a Câmara pode pagar a totalidade da construção do novo Pólo Hospital*…Será esta uma jogada para convencer, internamente, os mais renitentes a apoiar a sua recandidatura? Ou é um dos trunfos que, neste mesmo blog referi, estão na manga para serem lançados ao ritmo da estratégia ditada pela campanha eleitoral?

 

João de Mello Alvim

 

 

 

*A construção do Centro de Saúde em Sintra, na Av. Desidério Cambournac, deixa adivinhar problemas com a fluidez do trânsito e com o estacionamento, já que o edifício fica “entalado”, entre a referida avenida e a linha do comboio (ver foto)

**http://www.cmjornal.pt/portugal/cidades/detalhe/camara-de-sintra-disponivel-para-pagar-novo-hospital

(Na foto, novo centro de Saúde de Sintra)

O Hospital em Sintra continua em lista de espera

Os últimos desenvolvimentos sobre a construção do Pólo Hospitalar de Sintra, mantêm o diagnóstico de uma doença infecciosa crónica, identificada há mais de duas décadas. Num prolongado desrespeito pelo utente, as forças partidárias arremessam culpas entre si, como se houvesse inocentes entre as que exerceram o Poder em Sintra, nas últimas décadas. A agravar a infecção, tentam-se ganhos políticos em ano eleitoral. Entretanto o eleitor/utente continua a aguardar horas nas salas de atendimento, e dias, meses, anos nas listas de espera.

fotohospital-lista-de-espera

As versões que têm sido dadas para a reviravolta dos proprietários do terreno destinado ao Pólo Hospital, não podem deixar o cidadão perplexo, já que o que estará em causa é a alteração dos alvarás de um terreno inicialmente destinado a espaços verdes, para um espaço destinado à construção do referido Pólo Hospitalar, mantendo-se a função de equipamento público. Juntam-se a esta perplexidade, dúvidas legítimas: quais as razões que levaram os proprietários, através dos seus representantes legais, dar o dito por não dito, em tão pouco tempo, invocando como motivo, para a revogação da “declaração negocial” antes assinada, o se terem sentido pressionados para o fazer?; Conhecendo o conceito de diálogo em democracia do actual Presidente e a sua aversão em ser contrariado, teremos aqui mais um imbróglio provocado por Basílio Horta que está a ser pressionado pelo calendário eleitoral – leia-se aparelho do PS/Sintra?; Porque razão Marco Almeida fala em mais uma trapalhada de Basílio Horta, e não fundamenta a mesma?

Ao contrário do que li, a população de Sintra não anseia há muito por um Pólo Hospitar, mas sim por um Hospital. Mas também, como já escrevi, a possibilidade da construção do Pólo em Sintra, não deve ser rejeitada logo que implique uma política de articulação com “os Centros de Saúde, tendo em conta a sua localização geográfica (…) o apetrechamento humano e técnico dos mesmos, o núcleo de valências, em articulação com os serviços que só um Hospital pode prestar (…) Um pólo não é um hospital e este devia de ser, há décadas, um dos objectivos nucleares de qualquer boa governação para Sintra”(Três Parágrafos, de 20 de Novembro 2016). Nesta questão fulcral, a dos cuidados de saúde, mais do que procurar dividendos políticos é preciso a conjugação de esforços, para encontrar uma solução transitória que acrescente maior qualidade de vida aos sintrenses, sem deixar de ter como objectivo final a construção do Hospital de Sintra.

Quaisquer dividendos políticos que se queiram tirar desta situação, serão devidamente descontados pelos eleitores, que não entendem os zigue-zagues e as minudências desta discussão política, apenas sabem, por experiência própria ou próxima, o que sofrem – para além da dor que os leva a recorrer aos serviços hospitalares, a outra dor que têm de acumular com os tempos de espera e o caos nos serviços. Entrar nesta discussão sem argumentos sólidos, ou invocando o passado, para além de gerar cansaço e descrédito, conduz a uma armadilha que se pode virar contra quem eventualmente a montou, ou provocar danos políticos graves, a exigir hospitalização, em quem ela cair – o que não é nada desejável atendendo à falta de um Hospital em Sintra…

 

João de Mello Alvim

 

* Eu sei que, para além do temperamento, a formação política de Basílio Horta, por mais que a queiram enterrar, não espera pelo terceiro dia para ressuscitar e dificulta qualquer discussão democrática.

Hospital em Sintra, fanfarronices e providência cautelar: é obra!

 

Nenhum dos partidos que governaram nas últimas décadas Sintra, está isento de responsabilidades políticas e fora da suspeição por não terem enfrentarem os negócios da saúde privada,  no que concerne à não existência de um hospital para a população do concelho. Por outro lado, o absurdo da anunciada apresentação de uma providência cautelar com a intenção de impedir a construção de um pólo hospitalar, só tem paralelo com o slogan dos 12 anos em que nada foi feito, e pode virar o feitiço contra o feiticeiro.

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Antes do hospital, e como disse o Ministro, desmentindo o actual Presidente de Câmara* que exigia um hospital em Sintra, e ameaçava o governo com conflito no caso da resposta ser negativa**, importa reforçar os Centros de Saúde tendo em conta a localização geográfica e, acrescento, o apetrechamento humano e técnico dos mesmos, o núcleo de valências, em articulação com os serviços que só um hospital pode prestar. E se, numa primeira fase, for concretizado o pólo hospitalar anunciado pelo Ministro, que o seja, mas que se mantenha a construção do hospital como meta e, muito menos, não se mascare a realidade. Um pólo não é um hospital e este devia de ser, há décadas, um dos objectivos nucleares de qualquer boa governação para Sintra.

Pelos vistos não é este o entendimento do candidato-dependente em comissão de serviço pelo PS que, depois de exigir um hospital em Sintra, depois de ser desmentido pelo Ministro, cria uma nova tipologia de hospitais, os hospitais não tradicionais, contradizendo-se e comprometendo o que diz o PS, ao afirmar que um hospital deste tipo(tradicional) não “tinha lógica” em Sintra**. Mas afinal Basílio Horta e o PS defendem um hospital em Sintra – aquele até ameaça, numa tirada de fanfarronice política, o governo com conflitos-, ou “a obra” fica pelo pólo hospitalar, porque é mais lógico?

Propagandear que a culpa de não haver hospital no concelho foi dos “12 anos sem obra”, é uma forma de branquear as responsabilidades (políticas e outras) do partido dos propagandistas que também estiveram, e estão à frente dos Executivos autárquicos.  Por outro lado, ameaçar com providências cautelares para impedir a construção do pólo hospitalar, é um direito legítimo que se vai voltar contra os autores e apoiantes da mesma, porque os eleitores não iriam perceber o que motivava a acção. Mais: a concretizar-se, será um grande favor à recandidatura de Basílio Horta pois, se a providência vier a ser acolhida, este terá um bom motivo para dizer que o hospital só não avançou, porque a providência cautelar o impediu…

 

 

João de Mello Alvim

 

 

*   “Não é um novo hospital, como o senhor presidente da Câmara de Sintra referiu (…)”um pólo do Hospital Amadora/Sintra [Hospital Fernando da Fonseca], sem internamentos e muito parecido ao modelo do hospital do Seixal”, Adalberto Campos Fernandes, Ministro da Saúde, Diário de Notícias, 6 de Novembro.

 

**  “É tempo de se fazer um hospital em Sintra. Não apenas no Seixal e em Évora, mas aqui!”, sublinhou Basílio Horta. “A nossa população não pode continuar a ser condenada a estar horas e horas na urgência do Amadora-Sintra e a ser deslocada para Cascais sempre que há um problema”, constata o presidente da Câmara, que pretende “centralizar um hospital em Sintra.”, Sintra Notícias, 19 e Outubro (ler notícia completa em: http://sintranoticias.pt/2016/10/19/ultima-hora-basilio-horta-exige-do-governo-construcao-hospital-sintra/

*** “É um hospital, não é um hospital tradicional, nem tinha lógica, porque já há o Amadora-Sintra e o de Cascais vai ser Cascais-Sintra”, Basílio Horta, Observador, 7 de Novembro