Uma entrevista que baralha (mais)o resultado das autárquicas, em Sintra

 

A entrevista de Marco Almeida à TVI em nada contribui para convencer os ainda não convencidos em quem votar nas próximas autárquicas, que é onde os partidos e coligações se devem concentrar. Tenso e paralisado perante uma entrevistadora que confunde jornalismo com circo romano, o candidato não só não foi claro na exposição do caminho que pensa seguir se for eleito, tropeçou várias vezes e deu razão a quem diz ser esta candidatura não só é apoiada, como foi previamente combinada com o PSD.

Pelas suas caraterísticas pessoais, compreende-se à partida as dificuldades que Marco Almeida teria frente de uma entrevistadora-que-faz-directos-com-cadáveres-de-pessoas-ao-fundo, e pensa que anos de jornalismo lhe dão aforia para que o seu guião, impeça os entrevistados de expor os seus argumentos. Mais uma razão para o inner circle de Marco Almeida ter tido redobrado cuidado com a preparação deste embate e de outros que não sejam com a Saloia TV – isto sem qualquer menosprezo para com esta, mas numa relação de escala. A tensão do candidato, uma postura educada, confundiu-se com o reverente e obrigado e afiou as garras da dita entrevistadora. Contribui para erros e imprecisões (passivo da autarquia, número de salas de aulas, valores do IMI, entre outros), que nenhum candidato pode dar, e que as oposições aproveitaram para explorar. No fim da entrevista a ideia com se fica é que Marco Almeida não conseguiu expor o seu programa e o caminho que pensa seguir, se vier a ser vencedor. Ao aguilhão da star que o entrevistava, ia reagindo, mas nunca conseguiu agir.

Mas o mais preocupante para quem não é do PSD (nem do CDS) mas apoia a candidatura do independente, ou está inclinado em apoiá-la, mas não esquece os tempos negros do “ir além da troyka”, foi o enfâse colocado na confirmação do apoio de Passos Coelho. Primeiro, e embora se trate de eleição local, porque afasta em vez de congregar apoios de eleitores não filiados nestes dois partidos de direita, e que têm memória da governação passista (em coligação com o CDS). Depois, ao confirmar, da forma como o fez, como se estivesse a apresentar um trunfo, Marco Almeida deu de mão-beijada um trunfo aos que, dentro e fora do PSD, dizem que a candidatura há muito que vinha a ser negociada no segredo dos bastidores, com o empenho garantido deste partido. Versão contrária à que circula no circuito interno, junto de militantes e apoiantes do Movimento Sintrenses com Marco Almeida, e difundida e defendida publicamente. É caso para dizer que à mulher de César não basta ser séria, tem de parecer. E em televisão, o sentido desta frase é implacável.

 

João de Mello Alvim

Com amigos como Ribeiro e Castro, Marco Almeida não precisa de adversários, em Sintra

 

O ataque desembestado do candidato à Presidência da Assembleia Municipal de Sintra José Ribeiro e Castro à reacção da deputada socialista Isabel Moreira às declarações homofóbicas do, prestigiado, médico Gentil Martins em entrevista, na semana passada, ao Expresso, para além de insultuosas, demonstraram ignorância histórica, preconceitos serôdios e afunilam, para a direita, a candidatura do independente Marco Almeida, em vez de a abrir à transversalidade ideológica.

The Constantine Report

Não está em causa o, enorme, trabalho de uma vida de Gentil Martins, nem a sua mais do que reconhecida competência científica, está sim em causa a expressão verbal de um preconceito que macula essa mesma experiência científica, ao considerar a homossexualidade “uma anomalia” e um “desvio de personalidade”, comparando a homossexualidade ao sadomasoquismo e a “pessoas que se mutilam”(sic). Precisamente por ocupar um lugar de referência, Gentil Martins devia ter “tento na língua” nas suas opiniões pessoais. É que, um lugar de referência não quer dizer a Referência. Quantos “gentis martins” por esse mundo fora, desde a civilização grega da qual herdamos praticamente tudo, têm opinião contrária?

Perante as declarações de Gentil Martins(GM), o Bastonário da Ordem dos Médicos dizia, ontem, em entrevista ao Expresso – e depois de considerar que pelo seu trabalho o médico era uma “voz nacional” -, que “de facto ele (GM) fez declarações com as quais a Ordem não pode estar de acordo”. Em relação a uma queixa apresentada contra GM, responde o Bastonário “que a queixa foi apresentada por uma médica, que fez uma longa exposição e que vai para o Conselho Disciplinar”(sublinhado meu).

Pelo meio, a deputada do PS, Isabel Moreira, pronunciou-se por uma urgente “denúncia à Ordem dos Médicos” de modo a que as declarações não passem “como se nada fosse”, considerando que o médico violou “a deontologia médica” com “consequências negativas” e “graves”. Ora esta posição da deputada, provocou o destempero de José Ribeiro e Castro que, no seu mural no facebook, considerou Isabel Moreira, “A deputada dos açoites e da perseguição, sempre zelosa na sua função policial. Segue a escola de direitos humanos da Stasi e da Gestapo.”(sic).É claro que a ira lhe toldou a razão e resvalou para o insulto, pois insultuoso é escrever que Isabel Moreira “segue” os exemplos das referidas organizações que nunca defenderam os direitos humanos e perseguiram violentamente os homossexuais. Em posterior artigo no jornal online de direita, Observador, a emenda de Ribeiro e Castro foi pior do que o soneto. E a saga continua no seu mural do facebook, com muitos adjectivos ridículos, substantivos incendiários, tudo subordinado a um visceral ódio político à esquerda.

Esta posição de Ribeiro e Castro, candidato à Presidência da Assembleia Municipal pela lista liderada pelo independente Marco Almeida, para além de confirmar a fábula da rã e do escorpião, afunila ideologicamente a candidatura que é sustentada pelo trabalho e persistência de 4 anos dos militantes e amigos do Movimento Sintrenses com Marco Almeida, e que foi posteriormente apoiada pelo PSD, CDS e cidadãos independentes de várias áreas políticas, incluindo a esquerda. É caso para dizer que, com amigos políticos como este, Marco Almeida não precisa de adversários, especialmente nesta fase em que a prioridade não será a de convencer os já convencidos, mas os indecisos, que mais indecisos ficam com tiradas como a comentada.

 

João de Mello Alvim

 

PS: Não me revejo completamente no pedido do Bloco de Esquerda pedindo que Marco Almeida se demarque publicamente das declarações de Ribeiro e Castro. Mas o silêncio sobre este episódio por parte da candidatura, será mais desagregador do que agregador, mais potenciador de sectarismos do que consensos. Em tudo contrário ao bom-senso político e gerador de pontes, que o candidato à Presidência da Câmara tem vindo a seguir.

Insinuações-muitas, Notícias-zero, em Sintra

Recuso o “jornalismo” manipulador dos factos, como o sensacionalista, como recuso o “jornalismo” de insinuações que visa o ataque pessoal. Para mim não é notícia o património do actual presidente da Câmara de Sintra. É uma insinuação que, ao contrário do que alguns pensam, torna o visado em vítima. Como não é notícia um pretenso projeto nas redes sociais contra a actual gestão na autarquia sintrense. Se há conhecimento de factos e se não querem brincar ao jornalismo, ou pior, enlamear o jornalismo, que a investigação preceda a publicação e que a notícia esteja limpa de opinião.

foto site Vida em Equilíbrio

Na nova página do facebook  Portugal Alerta, da responsabilidade de Carlos Narciso, apoiante declarado da candidatura do independente Marco Almeida, foi postado um texto sobre o património do actual presidente da Câmara, assim como dos juros que aufere anualmente com as suas contas bancárias. O texto, marcadamente opinativo, contém uma descrição sobre os cargos que o fundador do CDS ocupou, mesmo antes do 25 de Abril, das constantes derrotas políticas eleitorais, mas essencialmente centra-se no património de Basílio Horta(BH), com a argumentação de que não seriam esses cargos, pagos sempre pelo erário público, que lhe permitiriam amealhar tais valores. Isto para mim não é notícia, são insinuações. A notícia devia partir de factos investigados e provados.

O Sintra Notícias, que insiste em camuflar o seu alinhamento editorial com o PS sintrense como se os leitores fossem acéfalos, entra pela tentativa do descrédito ao referir o jornalista Carlos Narciso como ex-jornalista. Depois, ocupa grande parte do artigo, onde mais uma vez se mistura informação com opinião, com a indignação de BH perante a “notícia” do Portugal Alerta e lança a insinuação de uma cabala online: o Portugal Alerta faz parte de um projecto nas redes sociais, contra a actual gestão do PS/Basílio Horta.

Com “jornalismo” como este, só resta aos eleitores sintrenses que desejem estar informados, a diversificação das fontes e o cruzar dessa mesma diversificação para encontrar “o caminho das pedras”. Pelo lado das candidaturas, se estas pensam que se se colarem a estes exemplos de mau-jornalismo e/ou partilharem estas “notícias” saem favorecidas, estão redondamente enganadas. Só é convencido quem já está convencido. A grande maioria dos indecisos, só ilusoriamente será seduzida, sendo que, o voltar as costas às candidaturas que se colem a estas manipulações disfarçadas de jornalismo, pode ser uma das opções, ou então um contributo para o reforço da abstenção.

 

João de Mello Alvim

foto site Vida em Equilíbrio

A orfandade do centro-esquerda nas próximas autárquicas, em Sintra

No alinhamento das actuais candidaturas às autárquicas de Sintra, mesmo tendo em conta que são eleições locais, o factor decisório centrar-se-á na disputa dos habituais eleitores do centro-esquerda. Se à esquerda, à direita e ao centro-direita, há opções claras, uma grande franja de cidadãos, por convicções ideológicas, não se revê no panorama, podendo o “partido da abstenção”, para além de ser grande vencedor, juntamente com o chamado voto útil, influenciar o resultado final.

Fazer uma extrapolação dos resultados das últimas eleições legislativas no concelho(1), para as próximas autárquicas, é um erro político básico, agravado em Sintra pela existência de um Movimento, o dos Sintrenses com Marco Almeida(MSCM), onde o sentido de voto dos seus apoiantes, não foi canalizado para um só partido ou área ideológica, uns por convicção, outros ainda sob os efeitos do cisma no PSD/Sintra. O mesmo acontece com a miragem de que o efeito “geringonça” reverterá a favor do PS, e que pretende branquear que o actual Executivo é suportado por uma troika espúria em que entra o PSD-indefectível de Passos Coelho. Concorre ainda para limpar a miragem, o actual núcleo duro que dirige a Concelhia do PS que é conhecido por “arrebenta candidatos socialistas” (João Soares e Ana Gomes), e last but not the least, o percurso político do cabeça de lista, Basílio Horta, que foi essencialmente como militante da extrema-direita de onde herdou os tiques autoritários e a difícil convivência com as regras democráticas.

Esclarecidas estas questões, uma outra, e essencial, se coloca. Em que candidatura se reverão os eleitores do centro-esquerda? Suprimidas as hipóteses Bloco de Esquerda e CDU por se assumirem inequivocamente de esquerda, e a do PS por se apresentar travestida, a candidatura do independente Marco Almeida conseguirá atraí-los? Seria mais fácil dar crédito a esta hipótese se a referida candidatura conseguisse fazer um caminho mais transversal ideologicamente, e fosse para além do movimento do ex-militante do PS, Barbosa de Oliveira. Seria mais fácil a entrada na área do eleitorado do centro-esquerda, se, pelo menos um dos nomes chave da candidatura (cabeça para a Assembleia Municipal e Mandatário), fosse de gente de esquerda. Assim, um trabalho de formiga feito ao longo de quatro anos por parte dos aderentes do MSCM, onde há gente de várias ideologias, pode ser ofuscado por nomes de destaque na candidatura e conotados com a direita e o centro-direita. Além do mais, são dados de mão-beijada argumentos aos que dizem que a candidatura independente não o é tanto assim, pois teria sido negociada, e estará a ser condicionada por pactos com o PSD/CDS onde, do lado do MSCM, só Marco Almeida participa.

Pelo lado do PS/Basílio Horta, a situação não é a mais atraente para o habitual eleitor do centro-esquerda. Em vez da almejada mais-valia, o actual Presidente tem-se revelado um bico-de-obra, pelo falhanço nas negociações com a sua família política para condicionar o lançamento da candidatura de Marco Almeida, pela falta de empatia com os cidadãos, pelo desconhecimento da realidade concelhia, pelas entradas de leão e saídas de sendeiro, e pela mediocridade como decisor político. Por este resumo, em vez de alargar a base eleitoral ao centro e à esquerda, afunilou-a, por desgaste, em “pensamentos, palavras, obras e omissões”. Mesmo com a descarga de obras e projectos, que aqui mesmo previ e estão a inundar, e a entupir os órgãos de comunicação oficiais e oficiosos, dificilmente conseguirá inverter o caminho de desconfiança que provocou, mesmo no próprio núcleo duro da Concelhia onde a convivência conheceu melhores dias.

Concluindo, uma certeza, uma incerteza, e uma pergunta-reflexão que deixo aos leitores e poderá ser o mote provável para próximo artigo. A primeira está na actual orfandade do “centro-esquerda”, a segunda no desfecho das eleições autárquicas em Sintra, a terceira e última: se este quadro de orfandade não for alterado, para onde penderá o voto útil?

 

 

João de Mello Alvim

imagem ideiademarketing.com.br

 

 

O panorama desolador da comunicação social, em Sintra

 

 

Longe vai o tempo em que existia em Sintra comunicação social informativa e interveniente, em quantidade e variedade, embora nem sempre em qualidade com raras e notórias excepções. De há uns anos a esta parte a quantidade caiu vertiginosamente, a variedade afunilou e a qualidade deixa muito a desejar, mesmo com o aparecimento de novas tecnologias de difusão. A ligação às forças partidárias, é um factor que se mantem inalterado, salvo raros desvios a esta regra.

Que jornais, sites, rádios e Tv´s se podem ver/ler/ouvir em Sintra que reflictam a realidade social e política do concelho? Com o risco de cometer alguma injustiça, o panorama é desolador, os jornais mais parecem folhetos de anúncios de um qualquer supermercado, salpicados por notícias na maioria das vezes não editadas e sem obedecer a uma unidade no seu conjunto. Resiste o “Jornal de Sintra”, com dois ou três colaboradores que não se pode deixar de ler, mas, e com todo o respeito pessoal pela sua directora, sem um rumo, sem inovação. De assinalar, no entanto, a resistência às vicissitudes que toda a imprensa passa e a independência partidária. Com outras características editoriais por ser “um jornal metropolitano (…) com edições semanais ou quinzenais, distintas em vários concelhos”, está o Jornal da Região-Sintra(JR-S). Mais criterioso na selecção e tratamento das notícias, tentando que a opinião não contamine a informação, e trilhando um rumo que não será especulativo imaginar de constante tensão entre a administração e a redação, o JR-S é o melhor exemplo de jornalismo independente que se faz em Sintra, sendo que o director, Paulo Parracho, nunca escondeu a sua filiação partidária(PSD) e inclusive foi eleito pelo seu partido para um órgão autárquico. Por outro lado, a rádio que existe é essencialmente de entretenimento e amolecimento. Restam as publicações online e uma televisão local, suponho que a única, depois da paragem da “Alagamares TV”.

Destas é justo salientar o infatigável trabalho de recolha do site “Tudo sobre Sintra”, uma incontornável fonte de consulta onde a imparcialidade é evidente, a “Saloia TV” e o “Sintra Notícias”. Ora estes dois últimos exemplos são paradigmáticos da forma como se situam perante as forças partidárias. Se no primeiro, goste-se ou não do estilo – e eu não gosto -, é assumida a defesa de uma candidatura, a do independente Marco Almeida, o segundo, para além de ser uma espécie de cópia do site da Câmara, é um defensor encapotado da estratégia política do PS/Sintra e do seu candidato, violando o que está escrito no seu estatuto editorial: “(…) O SINTRA NOTÍCIAS rege-se por critérios de rigor e imparcialidade no tratamento da matéria informativa; O SINTRA NOTÍCIAS assume a sua independência institucional, ideológica, política e económica na selecção e tratamento dos conteúdos informativos que disponibiliza aos seus utilizadores”.

Chega a ser confrangedora a forma, parcial, como são tratados os conteúdos editoriais. Não seria mais profissional e menos ridículo aos olhos dos leitores, que não são só os alinhados com a actual direcção da Concelhia do PS, assumir publicamente a defesa da estratégia do PS/Sintra e a manipulação das informações relativas à candidatura de Marco Almeida a quem, invariavelmente chamam candidatura da coligação PSD/CDS, tentando branquear quase quatro anos de trabalho dos aderentes ao Movimento Sintrenses com Marco Almeida? Ou o SN parte do princípio de que os leitores são acéfalos e meia-dúzia de partilhas de uma notícia no facebook são sinal de sucesso informativo?

 

João de Mello Alvim

A quem serve a notícia que liga as sondagens à recandidatura de Basílio Horta, em Sintra?

A nota publicada na última edição da revista “Sábado” (1), é um dos sintomas da desarmonia nas hostes socialistas em Sintra e a nível nacional, quanto à recandidatura de Basílio Horta. Como há meses assinalei, o actual Presidente nunca congregou o entusiasmo de muitos militantes que não colocaram o socialista na gaveta e que sempre se opuseram à sua indigitação. A estes, juntaram-se outros, descontentes com a governação autocrática, ao longo deste mandato, que teve como eixo central mais a acumulação de milhões no sistema bancário, e menos a resolução dos problemas das pessoas. Ultimamente, e na elaboração das listas, Basílio Horta “comprou” mais uma guerra, agora com os seus mais ferrenhos apoiantes.

recandidatura_sondagens

Neste caldo de conflitualidade e de jogo de forças que tem conhecido situações de grande tensão, ameaças e amuos, não é preciso ser pitonisa para não rejeitar a hipótese da notícia da “Sábado”, ter sido “plantada”. E, ao contrário de leituras apressadas que foram feitas, não pelos opositores à recandidatura, mas pelo sector “socialista” que apoiou a candidatura em 2013, o sector “socialista” que tem dominado nos últimos anos a concelhia, e que minou as candidaturas de João Soares e Ana Gomes. Ora o aparente paradoxo desta jogada, tipo “House of Cards” saloio, deriva não de garantias que o fundador do CDS(2) exige para se recandidatar, mas de uma vendetta do núcleo duro dos apoiantes de 2013, face à ordenação dos nomes da lista concorrente ao Executivo camarário.

O cruzamento de informações que circulam, mais ou menos, discretamente, indicam que Rui Pereira, e os seus indefectíveis, não se conformam por terem perdido o segundo lugar na lista, em detrimento, ao que parece, de Domingos Quintas. É que, mesmo que ganhe as eleições, Basílio Horta(BH) não cumprirá integralmente o mandato e aberta ficará “a janela de oportunidade” para Rui Pereira, finalmente, chegar à Presidência da Câmara de Sintra sem ter de disputar eleições – que ele sabe que nunca ganharia. Assim, mesmo que seja verdade o conteúdo da nota da revista “Sábado”, atendendo à reconhecida dificuldade de BH em conviver com as regras democráticas, e estar a criar um impasse para subir a parada negocial com o PS, nunca lhe interessaria a divulgação da mesma, por contribuir para desacreditar, ainda mais, a sua imagem de político em que a arrogância é inversamente proporcional à competência. Ficam então de pé as hipóteses de a “plantação” ter sido feita pelo Movimento Sintrenses com Marco Almeida e partidos que o apoiam, ou então ter vindo de “dentro” do PS. Diante destas duas possibilidades, uma leitura impressionista conduziria às forças do candidato independente. E foi apostando neste raciocínio do leitor/eleitor, que a manobra de diversão foi desenhada.

Numa primeira fase, será fácil soprar as suspeitas na direcção do adversário político, mas com o tempo, as inevitáveis fugas de informação e, essencialmente com a divulgação da lista, a claro ficará “a mão que embalou o berço”, provocou estragos na recandidatura de BH e inevitavelmente, deu mais dividendos à candidatura de Marco Almeida. Embora comparado com a ficção(?) da série “House of Cards”, a vida política em Sintra seja uma espécie de Lagoa Azul de tranquilidade, e comparado com Francis Underwood, Rui Pereira não passe de aspirante a menino do coro, é caso para dizer que esta gente não brinca-em-serviço e não perdoa.

 

 

João de Mello Alvim

 

 

(1)-Na mesma, escrevia-se que o autarca só se recandidatava se “houver sondagens que lhe apontem uma vitória inequívoca”.

 

(2)-Uma das razões da demora da divulgação da recandidatura, tem a ver com as negociação de Basílio Horta com o PS nacional tendo em vista uma promoção política, não num cargo que exija competência política democrática – que já provou não ter – , mas dentro do cardápio de sinecuras que o PS lhe poderá oferecer, no chamado “chuto para cima”.

 

Marco Almeida encabeça uma candidatura sem ideologia, a Sintra?

 

Se não estiverem filiados em partidos, e mesmo que não sejam apoiados por partidos, os candidatos a sufrágio autárquico devem defender ideologias, ou estas são um exclusivo dos candidatos partidários? E governar com ideologia, obstaculiza a governação e o encontro de soluções práticas para o bem-estar dos cidadãos? É possível separar a realidade do dia-a-dia dos cidadãos de ideologia, e encontrar soluções para essa realidade (por exemplo a económica, social e cultural) numa espécie de deserto ideológico, como se esse “caminho no deserto” não fosse ele mesmo uma opção, ideológica. Não se está a confundir ideologia construída sem preconceitos e transversal, com opções partidárias amarradas a opções ideológicas cristalizadas. Mas afinal o que é a ideologia?

Há várias interpretações do que é “a ideologia”, seja por raízes históricas (das quais tantas vezes só sobra o nome…), seja como um sistema de opções políticas preferencialmente a favor de um grupo social. O certo é que a ideologia, seja ela qual for, é uma forma de pensar e organizar a governação de uma comunidade. Por consequência, um bom governo tem de ser ideológico por natureza. Governar nas autarquias com ideologia, é saber o que se quer para o território. Governar sem ideologia é fazê-lo em função de interesses pontuais, dos estímulos externos, é navegar à vista. Os cidadãos conscientes e participativos dificilmente aceitarão serem governados por políticos sem ideologia, já que a mesma substancia o eixo central e catalisador da perspectiva, e rumo, do trabalho para a sua comunidade.

Por estas razões, o candidato independente Marco Almeida, lançou a confusão e justificadas dúvidas, ao postar no seu mural do Facebook (15 de Abril último), a propósito da trapalhada arrogante e politicamente serôdia, que Basílio Horta criou com a majoração do IMI para casas degradas: “O nosso concelho precisa de uma gestão humanista. Não de ideologia, mas de proximidade e de compreensão perante as dificuldades que as nossas comunidades enfrentam”. Mas a gestão humanista e de proximidade, não é uma opção ideológica para trabalhar com as comunidades? Não está o candidato a confundir opções ideológicas sem preconceitos e transversal, com opções partidárias amarradas a opções ideológicas cristalizadas e/ou desfasadas do rótulo?

 

João de Mello Alvim

 

Depois de atear o fogo,mais um recuo de Basílio Horta.

 

Depois de em reuniões de câmara se ter apoiado em certezas de sentido único, apoiadas numa argumentação desarticulada, e temperada pela sua proverbial arrogância política, o actual Presidente do Município de Sintra indicado pelo PS, fez mais um número de contorcionismo, lançou ameaças para dentro do aparelho camarário e, pelo meio de uma pindérica cortina de fumo fez o habitual recuo político. Desta vez, em causa estava o que a oposição e o bom-senso recomendavam há já algum tempo, ou seja, a revisão dos critérios que agravavam em 30%, o IMI de prédios que alegadamente se encontram degradados, sendo que muitos dos proprietários não foram sequer notificados pelos serviços camarários que viviam numa casa considerada degradada.*

burocracia

Se estivéssemos em presença de um responsável político com conhecimento, no terreno, da realidade do concelho, assim como pela capacidade de ouvir e criar os consensos possíveis na governação, seria de saudar esta atitude de Basílio Horta. A questão, e o ridículo da mesma, é que estamos na presença de um Presidente que não tem (quererá ter?) estes atributos e só recua, como aconteceu de outras vezes, quando “o acampamento está a arder”. Então de pirómano, passa a bombeiro de rescaldo, como ilustram estas suas palavras à TSF: “(…) “Quando vi diversos casos, entendi que não podia manter inalterável a situação que estava”, explica, “o dever da câmara é proteger os munícipes, o que tem feito desde o primeiro dia. Por isso, não podíamos consentir que os nossos munícipes estivessem a pagar um IMI maior em situações que não eram devidas”. Acontece que, durante a entrevista à TSF, Basílio Horta foi confrontado, no essencial, com a posição expressa num comunicado do Movimento Sintrense com Marco Almeida, comunicado que reflectia a posição deste Movimento nas reuniões de Câmara, e em outras intervenções –  o jornalista esteve muito mal, pois não indicou a fonte em que se apoiava para fazer as perguntas.

Embalado por uma espécie de senda justiceira, Basílio Horta proclamou aos microfones da rádio, que tinha decidido anular todos os processos de agravamento do IMI de 2017 e que as pessoas iriam receber aquilo que pagaram a mais nas Finanças. Ora esta “proclamação” levanta algumas dúvidas, nomeadamente a de saber até que ponto o Presidente tem poder para tomar, por si, esta decisão, e também, porque razão o não fez antes, confrontado que foi com os argumentos apresentados à mesa das reuniões camarárias, no dia anterior. Mas, para quem conhece o “estilo Basílio Horta”, o melhor estava guardado para o fim, quando o mesmo sentenciou: “Quando há erros, emendamo-los. Não os justificamos”. Bem prega Frei Tomás…

 

João de Mello Alvim

 

 

* “Foi com surpresa que João Pintassilgo descobriu que a casa onde vive foi classificada como degradada. Quando recebeu a nota de pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis, no início do mês de abril, reparou numa sobretaxa de 30%”.Ler mais: http://www.tsf.pt/sociedade/interior/era-simpatico-ser-avisado-que-vivo-numa-casa-degradada-6218535.html

 

Mais informação:

http://www.marcoalmeida.net/actualidade/noticias/movimento-scma/427-br

http://www.tsf.pt/sociedade/interior/camara-de-sintra-vai-anular-11-mil-processos-de-agravamento-do-imi-6219427.html

 

 

Quo vadis esquerda, em Sintra?

 

Com o PS a inclinar para o cepo um cabeça de lista da direita dos negócios, e uma candidatura independente com apoios, essencialmente, de cento-direita, que escolha terá um eleitor de esquerda que não seja militante do PS*, do PCP nem do Bloco de Esquerda nas próximas eleições autárquicas, em Sintra?

encruzilhada de flávia_link

O cabeça de lista que o PS/Sintra (re)indicado para disputar a presidência da Câmara, pelo seu passado político e concepção muito própria do exercício do Poder Autárquico – contra o qual votou desfavoravelmente, na Constituinte -, macula a candidatura e afasta muitos socialistas, militantes ou simpatizantes. O seu desempenho destes quase quatro anos, demonstra um entendimento refratário à pluralidade de opiniões. Afasta, sistematicamente, os eleitos que não fazem parte do vigente acordo de governação de tomadas de decisões políticas, quando, pela importância das mesmas e reflexo na vida dos sintrenses, a sua inclusão é do mais elementar bom-senso. Do mesmo modo, tem demonstrado uma evidente falta de capacidade para executar uma governação planificada, assim como uma visão economicista da política, que se reflecte mais nos milhões das contas bancárias, do que no bem-estar da população*.

Por outro lado, já depois de lançada, a recandidatura do independente Marco Almeida(MA) teve o apoio da sua família ideológica e ainda de socialistas organizados num pequeno movimento, assim como de personalidades conhecidas pelas suas posições de esquerda, o que não chega para ser um movimento transversal. Alguns erros cometidos, como por exemplo, a escolha, precipitada, de Carmona Rodrigues para coordenador do programa, ou a “troca” de António Capucho por Ribeiro e Castro, contribuíram para criar desconfianças entre nos eleitores de esquerda indecisos. No entanto, a argúcia política que MA tem demonstrado, pode contribuir para clarificar que se trata de eleições autárquicas e não nacionais, e tornar inequívoca a demarcação com o “pafismo”. A abrangência e sensibilidade social do programa, a ser apresentado, e as expostas divisões dentro da esquerda, poderão contribuir para o alargamento da referida transversalidade.

No entanto, com estes dois candidatos, muitos eleitores de esquerda, mesmo tendo em atenção que se trata de eleições locais onde se destaca o perfil político do cabeça de lista, o seu conhecimento e relação efectiva e afectiva com o território, continuam “órfãos”, apesar da recentemente anunciada candidatura da CDU (Pedro Ventura) e do anúncio, para breve, do cabeça de lista do BE (uma surpresa?). Se o PCP aposta no mesmo candidato de 2013, sabendo à partida que a sua eleição como vereador está garantida, já da parte do BE, mesmo que seja anunciado um nome com créditos indiscutíveis em termos nacionais, o há muito diagnosticado frágil enraizamento deste partido no trabalho de base no concelhio, dificilmente contribuirá para alterar substancialmente os resultados. E, substancialmente, seria a eleição de um vereador, assim como o aumento da representação na Assembleia Municipal e nas Freguesias.

A questão que mais agudamente se coloca aos eleitores de esquerda não militantes (ou militantes com autonomia de pensamento e acção), do PS ao BE, é a de tentar perceber porque razão, neste quadro em que o PS oficial se auto-exclui com a indicação de um cabeça de lista da direita dos negócios, não é possível a CDU e o BE construírem, com base nos seus programas que em pouco se diferenciarão, uma alternativa de esquerda credível e exequível. Isto num concelho que, desde que há eleições, sempre foi governado ora pelo PSD, ora pelo PS, sendo que o CDS e a CDU raramente estiveram de fora… Ou será que este último facto é o elemento bloqueador de um acordo à esquerda? E se o é, não se está a tempo, e num tempo político, oportuno para o debater e ultrapassar? Não é importante que a esquerda esteja representada, autonomamente e com força política, na mesa dos vereadores eleitos? Ou será que desta incapacidade da esquerda se unir, vão sair os votos que determinarão a victória de um dos outros dois candidatos, Basílio Horta ou Marco Almeida? Quo vadis esquerda, em Sintra?

 

João de Mello Alvim

 

 

*Ou mesmo sendo militante não se reveja nesta PS/Basílio Horta

** Isto já para não falar no ridículo de, nas raras presidências abertas, excluir os vereadores eleitos pelo Movimento Sintrenses com Marco Almeida, ou seja, a oposição.  Tem sido um exercício de mandato de um Presidente que nada tem a ver com os princípios fundadores do socialismo e, mais grave, não governou para todos os sintrenses – as Uniões de Freguesias cujos Executivos não são do PS/Basílio Horta, estarão em boas condições de confirmar ou desmentir o que escrevo.

Quao vadis esquerda em Sintra (edição em PDF)

Mais um auto-golo de Basílio Horta na sua recandidatura, a Sintra

 

A prestação de Basílio Horta (BH) no programa da Benfica TV foi, politicamente, patética. Colocado em frente ao anterior Presidente da Câmara, responsável, segundo Basílio e correlegionários, pelo “12 anos em que Sintra esteve abandonada”, o recandidato* indicado pelo PS/Sintra, elogiou os 12 anos de desempenho de Fernando Seara, e desejou ter os mesmos êxitos que o seu antecessor. Não apontou erros de gestão, engoliu em seco a afirmação, mordaz, de Seara quando este disse ter deixado o concelho com todas as condições para o novo Presidente fazer o que entendesse e, com a sua prestação, voltou a fazer corar de vergonha os socialistas sintrenses – porque os há, estão é em módulo de hibernação.

naom_52e68ee0ebbc3

Vi duas vezes o programa na íntegra, e para além de identificar uma nítida estratégia concertada antes do início da gravação, constatei que Basílio Horta mais uma vez provou ser, numa apreciação bondosa, um político inábil, cuja apregoada frontalidade política se esvanece diante das dificuldades, pois tinha uma oportunidade soberana, aos olhos da “nação benfiquista” para desmontar o que tem dito publicamente sobre o desgoverno e a inacção, do “careca do Benfica” quando este esteve à frente da Câmara de Sintra. Numa primeira parte, falou da sua carreira política, evidentemente narrada numa perspectiva branqueadora das suas ligações à União Nacional fascista e ao posicionamento da CDS do espectro partidário pós-25 de Abril, passando pela Constituinte** até à sua colagem à ala direita do PS, e indicação como candidato à Câmara de Sintra. Numa segunda fase, e perante a pergunta do moderador sobre como avaliava os mandatos de Fernando Seara (os famosos 12 anos em que nada foi feito, como reza o slogan e escrito está nas actas de reuniões, tanto do Executivo como da Assembleia Municipal), BH, recuou e não foi coerente com o discurso de três anos, dele e dos seus correlegionários. Que credibilidade pode ter um político como este, que diz uma coisa nas costas e outra na frente do seu antecessor?

Para espanto de quem se espanta com aquilo que alguns políticos entendem o que é a Política, BH disse:  ”O dr. Fernando Seara geriu Sintra no seu tempo, eu estou a gerir Sintra no meu tempo. A verdade é que um Presidente de Câmara que eleito por maioria absoluta por duas vezes, é porque tem mérito. Isto chega-me. Portanto, encontrei Sintra gerida pelo Dr. Fernando Seara que eleito por duas vezes por maioria absoluta, agora o que ele fez, e é uma coisa muito importante, foi não ter estragado Sintra de maneira nenhuma. Quando ele dá aquela orientação “já chega de betão!”, é uma orientação que salva muita coisa em Sintra. Muita coisa. Como é que eu podia gerir hoje se ele não tivesse feito isso na altura? Portanto há aqui uma continuidade nesse domínio e depois pois claro, cada um tem o seu estilo coloca o seu cunho pessoal a vida é outra, o país é outro, o ambiente é outro a realidade é outra e eu só espero ter o mesmo êxito que ele teve”. Não é preciso ser mosca, para imaginar a cara dos indefectíveis da actual gestação e dos propagandistas da cassete dos “12 anos sem obra”. Nunca o nome de um programa de TV – “Jogo limpo” – lhes devia ter causado tanta perplexidade.

Há tempos, neste mesmo espaço, escrevi que, face aos desaires protagonizados por BH na tentativa de bloquear o apoio do PSD e do CDS à candidatura do independente Marco Almeida, a estratégia do PS/Sintra iria mudar, centrando-se mais na catadupa de obras (em algumas freguesias…), e anúncios de projectos, mais dinheiro para apoios, visitas ministeriais, etc, do que nos “12 anos sem obra”. O que nunca pensei foi que este argumento fosse convertido, por Basílio Horta, no seu contrário, ou seja, em elogio. Isto numa televisão, em frente do principal responsável pela propagandeada inacção, o ex-presidente Fernando Seara.

Por parte deste, a atracção pelo jogo de sombras continua: convidou o “benfiquista ilustre” Basílio Horta, para o seu programa no Benfica TV; ouviu-o a tecer elogios ao seu desempenho de 12 anos e, mantendo um registo complacente, temperado por uma pitada-frase de efeito, nunca elogiou o trabalho em Sintra do seu sucessor e recandidato. Mexendo-se no mundo dos estúdios televisivos como peixe na água, Fernando Seara chamou a si a atenção da câmara (de filmar) número 1, para, num aparente mergulho de socorro, afundar ainda mais Basílio Horta com uma tirada, salgada: “O mais importante da vida é a força do mar e não a espuma das ondas”. Para este admirador de Maquiavel, a frase sibilina, não foi proferida ao acaso***. Caberá ao espectador, e especialmente ao eleitor, perceber e escolher “a força do mar” e/ou “a espuma das ondas”.

 

 

João de Mello Alvim

 

 

*Que eu saiba, ainda não anunciada oficialmente. Devia ter sido o entusiasmo de estar na Benfica TV que o levou a assumir.

** Não o ouvi referir que votou contra Constituição que consagrava o Poder Autárquico.

***As conjecturas sobre as razões que levaram Fernando Seara a convidar Basílio Horta para o “Jogo limpo”, davam outra crónica.

 

Para ver o programa “Jogo limpo”, completo: http://sintranoticias.pt/2017/03/14/basilio-horta-fernando-seara-juntos-falam-sintra/