25 de Abril: comemorar sempre a democracia e a responsabilidade cidadã

Não faz sentido que não se comemore o 25 de Abril na Assembleia da República. Como não faz sentido que, na actual situação de estado de emergência e normas de comportamento profiláctico devido às razões que se conhecem, sejam convidadas tantas pessoas para um espaço fechado e, ao que ainda há pouco ouvi, sem ser exigido o uso de máscaras.

Um representante de cada partido, um representante das personalidades e um representante das entidades habitualmente convidadas, com as distâncias físicas asseguradas e usando as protecções que são indicadas ao comum dos cidadãos em espaços públicos, não invalida o simbolismo da cerimónia e era um sinal clara de as normas indicadas pelas autoridades sanitárias são para cumprir por todos os cidadãos independentemente da sua condição ou cargo.

A comemoração nos moldes em que está anunciada, é um mau exemplo dado pela Casa da Democracia paradoxalmente no dia libertador da ditadura política. Assim se espicaçam os ataques desembestados contra a classe política, assim se alimentam os populismos.

Espero que nestes três dias que faltam, o bom-senso prevaleça.

 

João de Mello Alvim

 

ARepública

 

Marco Almeida encabeça uma candidatura sem ideologia, a Sintra?

 

Se não estiverem filiados em partidos, e mesmo que não sejam apoiados por partidos, os candidatos a sufrágio autárquico devem defender ideologias, ou estas são um exclusivo dos candidatos partidários? E governar com ideologia, obstaculiza a governação e o encontro de soluções práticas para o bem-estar dos cidadãos? É possível separar a realidade do dia-a-dia dos cidadãos de ideologia, e encontrar soluções para essa realidade (por exemplo a económica, social e cultural) numa espécie de deserto ideológico, como se esse “caminho no deserto” não fosse ele mesmo uma opção, ideológica. Não se está a confundir ideologia construída sem preconceitos e transversal, com opções partidárias amarradas a opções ideológicas cristalizadas. Mas afinal o que é a ideologia?

Há várias interpretações do que é “a ideologia”, seja por raízes históricas (das quais tantas vezes só sobra o nome…), seja como um sistema de opções políticas preferencialmente a favor de um grupo social. O certo é que a ideologia, seja ela qual for, é uma forma de pensar e organizar a governação de uma comunidade. Por consequência, um bom governo tem de ser ideológico por natureza. Governar nas autarquias com ideologia, é saber o que se quer para o território. Governar sem ideologia é fazê-lo em função de interesses pontuais, dos estímulos externos, é navegar à vista. Os cidadãos conscientes e participativos dificilmente aceitarão serem governados por políticos sem ideologia, já que a mesma substancia o eixo central e catalisador da perspectiva, e rumo, do trabalho para a sua comunidade.

Por estas razões, o candidato independente Marco Almeida, lançou a confusão e justificadas dúvidas, ao postar no seu mural do Facebook (15 de Abril último), a propósito da trapalhada arrogante e politicamente serôdia, que Basílio Horta criou com a majoração do IMI para casas degradas: “O nosso concelho precisa de uma gestão humanista. Não de ideologia, mas de proximidade e de compreensão perante as dificuldades que as nossas comunidades enfrentam”. Mas a gestão humanista e de proximidade, não é uma opção ideológica para trabalhar com as comunidades? Não está o candidato a confundir opções ideológicas sem preconceitos e transversal, com opções partidárias amarradas a opções ideológicas cristalizadas e/ou desfasadas do rótulo?

 

João de Mello Alvim