Do, é ou não é hospital, ao hospital privado do Grupo Mello, em Sintra

Pólo hospitalar, agora Hospital de Proximidade, finalmente parece que Sintra vai ter uma unidade hospitalar dentro das várias categorias possíveis. E se ainda não é o equipamento que o concelho há anos precisa, não se pode deixar de saudar a assinatura do protocolo. Saudar e reflectir, tanto sobre a data do anúncio, como do destino dos milhões municipais e ainda sobre a coincidência de, para a semana, ser anunciado o projeto de construção de uma unidade Hospital privada no concelho, um investimento do Grupo Mello.

Não será preciso um exercício de grande perspicácia política para associar, entre outras razões já aqui expostas, o atraso do anúncio da recandidatura do actual presidente, à garantia por parte do governo da assinatura do protocolo em véspera das próximas eleições autárquicas. Amarrado ao princípio de recandidatar todos os presidentes em exercício, e pressionado pelo PS local, mesmo os mais renitentes membros da direcção nacional deste partido não tinham outra alternativa. E Basílio Horta(BH) conhecia este dilema muito bem. Por isso esticou a corda junto do governo PS, para tentar garantir aquela que poderá ser a sua primeira vitória eleitoral “sem espinhas” – toda a gente sabe que BH não ganhou as últimas autárquicas, já que as mesmas foram uma derrota do PSD devido à cisão concelhia ocorrida a meses das eleições e que ainda não cicatrizou completamente.

Não entrando na manobra de diversão “do, é ou não é Hospital”(1), sinalizo duas questões que penso necessitarem de maior reflexão. A primeira, que os partidos de esquerda em Sintra (PCP e BE) têm apontado, é o facto de o município ir suportar uma despesa que compete ao Estado e que o próprio Basílio Horta, há meses atrás, exigia que assim fosse. Ora, sabendo que o problema do Hospital para Sintra, e consequente sofrimento das populações, se arrasta há mandatos e mandatos de alternância entre o PS e o PSD, e conhecendo a proverbial arrogância política do actual presidente, só se entende esta marcha-atrás em escassos meses, como reflexo dos ajustes do “deve e haver” político que se elencam nos gabinetes à espera de “certificados de garantia”, seja para contribuir para a victória, seja para “conforto”, em caso de derrota. Por outro lado, é no mínimo intrigante a coincidência do Grupo Mello, que tão boas relações tem com determinado sector de “políticos da área dos negócios”, lançar, praticamente em simultâneo, o anúncio da construção de um hospital privado também em Sintra. Será que este interesse há muito conhecido por parte deste grupo económico pela doença, vem, por coincidência, colmatar as insuficiências do protocolizado hospital de proximidade? E com tal simultaneidade, não fica a ideia que o PS/Basílio Horta está, em várias frentes, a tratar da saúde aos munícipes? (2)

Poder-se-á dizer que não há fome que não traga fartura. Neste caso, porém, prefiro uma pequena alteração ao ditado: não há doença que não traga factura. A ver vamos.

 

 

João de Mello Alvim

 

 

(1)- A propósito, aconselho a leitura, despreconceituosa, do texto de André Beja, Enfermeiro, Investigador de Políticas de Saúde, Candidato do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal de Sintra.

http://www.esquerda.net/opiniao/hospital-de-proximidade-de-sintra-mais-duvidas-que-certezas/49438

 

(2) – A propósito, e dentro da defesa, não assumida, da estratégia do PS/Sintra, é elucidativo este artigo do Sintranotícias,

http://sintranoticias.pt/2017/07/01/grupo-mello-aposta-sintra-vai-construir-hospital-privado/

 

 

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Insinuações-muitas, Notícias-zero, em Sintra

Recuso o “jornalismo” manipulador dos factos, como o sensacionalista, como recuso o “jornalismo” de insinuações que visa o ataque pessoal. Para mim não é notícia o património do actual presidente da Câmara de Sintra. É uma insinuação que, ao contrário do que alguns pensam, torna o visado em vítima. Como não é notícia um pretenso projeto nas redes sociais contra a actual gestão na autarquia sintrense. Se há conhecimento de factos e se não querem brincar ao jornalismo, ou pior, enlamear o jornalismo, que a investigação preceda a publicação e que a notícia esteja limpa de opinião.

foto site Vida em Equilíbrio

Na nova página do facebook  Portugal Alerta, da responsabilidade de Carlos Narciso, apoiante declarado da candidatura do independente Marco Almeida, foi postado um texto sobre o património do actual presidente da Câmara, assim como dos juros que aufere anualmente com as suas contas bancárias. O texto, marcadamente opinativo, contém uma descrição sobre os cargos que o fundador do CDS ocupou, mesmo antes do 25 de Abril, das constantes derrotas políticas eleitorais, mas essencialmente centra-se no património de Basílio Horta(BH), com a argumentação de que não seriam esses cargos, pagos sempre pelo erário público, que lhe permitiriam amealhar tais valores. Isto para mim não é notícia, são insinuações. A notícia devia partir de factos investigados e provados.

O Sintra Notícias, que insiste em camuflar o seu alinhamento editorial com o PS sintrense como se os leitores fossem acéfalos, entra pela tentativa do descrédito ao referir o jornalista Carlos Narciso como ex-jornalista. Depois, ocupa grande parte do artigo, onde mais uma vez se mistura informação com opinião, com a indignação de BH perante a “notícia” do Portugal Alerta e lança a insinuação de uma cabala online: o Portugal Alerta faz parte de um projecto nas redes sociais, contra a actual gestão do PS/Basílio Horta.

Com “jornalismo” como este, só resta aos eleitores sintrenses que desejem estar informados, a diversificação das fontes e o cruzar dessa mesma diversificação para encontrar “o caminho das pedras”. Pelo lado das candidaturas, se estas pensam que se se colarem a estes exemplos de mau-jornalismo e/ou partilharem estas “notícias” saem favorecidas, estão redondamente enganadas. Só é convencido quem já está convencido. A grande maioria dos indecisos, só ilusoriamente será seduzida, sendo que, o voltar as costas às candidaturas que se colem a estas manipulações disfarçadas de jornalismo, pode ser uma das opções, ou então um contributo para o reforço da abstenção.

 

João de Mello Alvim

foto site Vida em Equilíbrio

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A orfandade do centro-esquerda nas próximas autárquicas, em Sintra

No alinhamento das actuais candidaturas às autárquicas de Sintra, mesmo tendo em conta que são eleições locais, o factor decisório centrar-se-á na disputa dos habituais eleitores do centro-esquerda. Se à esquerda, à direita e ao centro-direita, há opções claras, uma grande franja de cidadãos, por convicções ideológicas, não se revê no panorama, podendo o “partido da abstenção”, para além de ser grande vencedor, juntamente com o chamado voto útil, influenciar o resultado final.

Fazer uma extrapolação dos resultados das últimas eleições legislativas no concelho(1), para as próximas autárquicas, é um erro político básico, agravado em Sintra pela existência de um Movimento, o dos Sintrenses com Marco Almeida(MSCM), onde o sentido de voto dos seus apoiantes, não foi canalizado para um só partido ou área ideológica, uns por convicção, outros ainda sob os efeitos do cisma no PSD/Sintra. O mesmo acontece com a miragem de que o efeito “geringonça” reverterá a favor do PS, e que pretende branquear que o actual Executivo é suportado por uma troika espúria em que entra o PSD-indefectível de Passos Coelho. Concorre ainda para limpar a miragem, o actual núcleo duro que dirige a Concelhia do PS que é conhecido por “arrebenta candidatos socialistas” (João Soares e Ana Gomes), e last but not the least, o percurso político do cabeça de lista, Basílio Horta, que foi essencialmente como militante da extrema-direita de onde herdou os tiques autoritários e a difícil convivência com as regras democráticas.

Esclarecidas estas questões, uma outra, e essencial, se coloca. Em que candidatura se reverão os eleitores do centro-esquerda? Suprimidas as hipóteses Bloco de Esquerda e CDU por se assumirem inequivocamente de esquerda, e a do PS por se apresentar travestida, a candidatura do independente Marco Almeida conseguirá atraí-los? Seria mais fácil dar crédito a esta hipótese se a referida candidatura conseguisse fazer um caminho mais transversal ideologicamente, e fosse para além do movimento do ex-militante do PS, Barbosa de Oliveira. Seria mais fácil a entrada na área do eleitorado do centro-esquerda, se, pelo menos um dos nomes chave da candidatura (cabeça para a Assembleia Municipal e Mandatário), fosse de gente de esquerda. Assim, um trabalho de formiga feito ao longo de quatro anos por parte dos aderentes do MSCM, onde há gente de várias ideologias, pode ser ofuscado por nomes de destaque na candidatura e conotados com a direita e o centro-direita. Além do mais, são dados de mão-beijada argumentos aos que dizem que a candidatura independente não o é tanto assim, pois teria sido negociada, e estará a ser condicionada por pactos com o PSD/CDS onde, do lado do MSCM, só Marco Almeida participa.

Pelo lado do PS/Basílio Horta, a situação não é a mais atraente para o habitual eleitor do centro-esquerda. Em vez da almejada mais-valia, o actual Presidente tem-se revelado um bico-de-obra, pelo falhanço nas negociações com a sua família política para condicionar o lançamento da candidatura de Marco Almeida, pela falta de empatia com os cidadãos, pelo desconhecimento da realidade concelhia, pelas entradas de leão e saídas de sendeiro, e pela mediocridade como decisor político. Por este resumo, em vez de alargar a base eleitoral ao centro e à esquerda, afunilou-a, por desgaste, em “pensamentos, palavras, obras e omissões”. Mesmo com a descarga de obras e projectos, que aqui mesmo previ e estão a inundar, e a entupir os órgãos de comunicação oficiais e oficiosos, dificilmente conseguirá inverter o caminho de desconfiança que provocou, mesmo no próprio núcleo duro da Concelhia onde a convivência conheceu melhores dias.

Concluindo, uma certeza, uma incerteza, e uma pergunta-reflexão que deixo aos leitores e poderá ser o mote provável para próximo artigo. A primeira está na actual orfandade do “centro-esquerda”, a segunda no desfecho das eleições autárquicas em Sintra, a terceira e última: se este quadro de orfandade não for alterado, para onde penderá o voto útil?

 

 

João de Mello Alvim

imagem ideiademarketing.com.br

 

 

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O panorama desolador da comunicação social, em Sintra

 

 

Longe vai o tempo em que existia em Sintra comunicação social informativa e interveniente, em quantidade e variedade, embora nem sempre em qualidade com raras e notórias excepções. De há uns anos a esta parte a quantidade caiu vertiginosamente, a variedade afunilou e a qualidade deixa muito a desejar, mesmo com o aparecimento de novas tecnologias de difusão. A ligação às forças partidárias, é um factor que se mantem inalterado, salvo raros desvios a esta regra.

Que jornais, sites, rádios e Tv´s se podem ver/ler/ouvir em Sintra que reflictam a realidade social e política do concelho? Com o risco de cometer alguma injustiça, o panorama é desolador, os jornais mais parecem folhetos de anúncios de um qualquer supermercado, salpicados por notícias na maioria das vezes não editadas e sem obedecer a uma unidade no seu conjunto. Resiste o “Jornal de Sintra”, com dois ou três colaboradores que não se pode deixar de ler, mas, e com todo o respeito pessoal pela sua directora, sem um rumo, sem inovação. De assinalar, no entanto, a resistência às vicissitudes que toda a imprensa passa e a independência partidária. Com outras características editoriais por ser “um jornal metropolitano (…) com edições semanais ou quinzenais, distintas em vários concelhos”, está o Jornal da Região-Sintra(JR-S). Mais criterioso na selecção e tratamento das notícias, tentando que a opinião não contamine a informação, e trilhando um rumo que não será especulativo imaginar de constante tensão entre a administração e a redação, o JR-S é o melhor exemplo de jornalismo independente que se faz em Sintra, sendo que o director, Paulo Parracho, nunca escondeu a sua filiação partidária(PSD) e inclusive foi eleito pelo seu partido para um órgão autárquico. Por outro lado, a rádio que existe é essencialmente de entretenimento e amolecimento. Restam as publicações online e uma televisão local, suponho que a única, depois da paragem da “Alagamares TV”.

Destas é justo salientar o infatigável trabalho de recolha do site “Tudo sobre Sintra”, uma incontornável fonte de consulta onde a imparcialidade é evidente, a “Saloia TV” e o “Sintra Notícias”. Ora estes dois últimos exemplos são paradigmáticos da forma como se situam perante as forças partidárias. Se no primeiro, goste-se ou não do estilo – e eu não gosto -, é assumida a defesa de uma candidatura, a do independente Marco Almeida, o segundo, para além de ser uma espécie de cópia do site da Câmara, é um defensor encapotado da estratégia política do PS/Sintra e do seu candidato, violando o que está escrito no seu estatuto editorial: “(…) O SINTRA NOTÍCIAS rege-se por critérios de rigor e imparcialidade no tratamento da matéria informativa; O SINTRA NOTÍCIAS assume a sua independência institucional, ideológica, política e económica na selecção e tratamento dos conteúdos informativos que disponibiliza aos seus utilizadores”.

Chega a ser confrangedora a forma, parcial, como são tratados os conteúdos editoriais. Não seria mais profissional e menos ridículo aos olhos dos leitores, que não são só os alinhados com a actual direcção da Concelhia do PS, assumir publicamente a defesa da estratégia do PS/Sintra e a manipulação das informações relativas à candidatura de Marco Almeida a quem, invariavelmente chamam candidatura da coligação PSD/CDS, tentando branquear quase quatro anos de trabalho dos aderentes ao Movimento Sintrenses com Marco Almeida? Ou o SN parte do princípio de que os leitores são acéfalos e meia-dúzia de partilhas de uma notícia no facebook são sinal de sucesso informativo?

 

João de Mello Alvim

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A (tentativa da) segunda morte da Maria João Fontaínhas, em Sintra

O relançamento do Prémio Nacional das Artes do Espectáculo, Maria João Fontaínhas (PNAEMJF), continua adiado a pretexto das mais variadas e descosidas razões, que pretendem esconder a razão principal. A iniciativa, bienal, tinha como objectivo dinamizar a escrita dramática e ainda guiões para a montagem de espectáculos na área das artes performativas. O adiamento consecutivo, para além de ser uma espécie de tentativa de segunda morte da actriz do Chão de Oliva, precocemente falecida, é paradigmático da actual política cultural dos “três cês”, imposta pela dupla ainda em funções, Basílio Horta/Rui Pereira(1).

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Há uns meses, escrevia neste mesmo espaço: “A decisão de congelar o PNAEMJF consubstancia a orientação política para a cultura da actual dupla Basílio Horta/Rui Pereira,  assente nos “três cês”: cortar ao máximo os apoios à actividade cultural, essencialmente à desenvolvida pelos agentes culturais. Esta prática rejeita Regulamentos (que possam imprimir transparência), previamente discutidos pela comunidade e aprovados por quem tem a decisão política, como foi prometido durante a campanha eleitoral, e deixa campo aberto ao livre arbítrio, ao controlo pelo “gosto artístico do vereador” e, eventualmente, às suas simpatias pessoais. É que, se para Basílio Horta a Maria João não lhe diz nada, como não lhe diz nada a história e a variada actividade cultural sintrense, já Rui Pereira, é praticamente da mesma geração da Maria João e, quem a conhecia, sabe que não era mulher para reverências aos transitórios do Poder. Será que a Maria João Fontaínhas está a pagar pelo fez ou, pior, pelo que não fez, segundo as bitolas desta “comissão liquidatária”?( 1).

O artigo tinha sido escrito na sequência de uma sugestão apresentada por um membro( do PSD) na Assembleia da União de Freguesias de Sintra, no sentido do Executivo da União pensar na possibilidade de chamar a si o relançamento do Prémio. Sugestão bem acolhida por todas as representações, à excepção da do PS que se manteve em silêncio, em obediência ao chefe, o Presidente da Concelhia, Rui Pereira. Eventualmente recados e avisos, embrulhados nas habituais mentiras, foram enviados. O facto é que, a caminho do final do mandato, o PNAEMJF continua bloqueado(2).

Um senhor que foi ministro do PS e posteriormente administrador da empresa Teixeira Duarte, dizia, na sua habitual verborreia que, “quem se mete com o PS leva!”.  Em Sintra, o núcleo duro deste partido, com a cumplicidade silenciosa de muitos militantes, a frase deste “intelectual” de uma das alas mais trauliteiras da direita do PS, faz escola. Como tal, se for preciso que a Maria João Fontaínhas “morra uma segunda vez”, pois que morra. Quem a mandou ser irreverente, expressar as suas discordâncias, fosse ele Vereador ou Chefe de Departamento, e pertencer à associação cultural que, pela sua independência, esteve sempre sob-mira? Um pequeno detalhe: daqui a uns anos, ninguém se lembrará do nome do actual Presidente da Concelhia do PS. O contrário não acontecerá com a Maria João Fontaínhas que, pelo seu trabalho na comunidade, em particular na área cultural, será lembrada como a primeira actriz formada em Sintra e que em Sintra desenvolveu o seu trabalho, na primeira Companhia de Teatro profissional. O nome dela na futura sala da ampliada Casa de Teatro de Sintra, malgrado a persistente obstrução da dupla Basílio Horta/Rui Pereira, isso mesmo perpetuará.

 

 

João de Mello Alvim  #  blog Três Parágrafos

https://tresparagrafossegundaedicao.wordpress.com

 

 

 

(1)- https://tresparagrafossegundaedicao.wordpress.com/2017/01/08/a-politica-cultural-dos-tres-ces-em-sintra/

 

(2)- Pelas minhas contas, este Prémio o máximo que custou à CMSintra foi 6 000 euros, somando o prémio monetário e pagamento ao elemento convidado para o Júri – os restantes elementos, designados pela autarquia e pelo Chão de Oliva, não eram pagos A última edição(2012), que não teve vencedores, custou zero euros (zero).

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A quem serve a notícia que liga as sondagens à recandidatura de Basílio Horta, em Sintra?

A nota publicada na última edição da revista “Sábado” (1), é um dos sintomas da desarmonia nas hostes socialistas em Sintra e a nível nacional, quanto à recandidatura de Basílio Horta. Como há meses assinalei, o actual Presidente nunca congregou o entusiasmo de muitos militantes que não colocaram o socialista na gaveta e que sempre se opuseram à sua indigitação. A estes, juntaram-se outros, descontentes com a governação autocrática, ao longo deste mandato, que teve como eixo central mais a acumulação de milhões no sistema bancário, e menos a resolução dos problemas das pessoas. Ultimamente, e na elaboração das listas, Basílio Horta “comprou” mais uma guerra, agora com os seus mais ferrenhos apoiantes.

recandidatura_sondagens

Neste caldo de conflitualidade e de jogo de forças que tem conhecido situações de grande tensão, ameaças e amuos, não é preciso ser pitonisa para não rejeitar a hipótese da notícia da “Sábado”, ter sido “plantada”. E, ao contrário de leituras apressadas que foram feitas, não pelos opositores à recandidatura, mas pelo sector “socialista” que apoiou a candidatura em 2013, o sector “socialista” que tem dominado nos últimos anos a concelhia, e que minou as candidaturas de João Soares e Ana Gomes. Ora o aparente paradoxo desta jogada, tipo “House of Cards” saloio, deriva não de garantias que o fundador do CDS(2) exige para se recandidatar, mas de uma vendetta do núcleo duro dos apoiantes de 2013, face à ordenação dos nomes da lista concorrente ao Executivo camarário.

O cruzamento de informações que circulam, mais ou menos, discretamente, indicam que Rui Pereira, e os seus indefectíveis, não se conformam por terem perdido o segundo lugar na lista, em detrimento, ao que parece, de Domingos Quintas. É que, mesmo que ganhe as eleições, Basílio Horta(BH) não cumprirá integralmente o mandato e aberta ficará “a janela de oportunidade” para Rui Pereira, finalmente, chegar à Presidência da Câmara de Sintra sem ter de disputar eleições – que ele sabe que nunca ganharia. Assim, mesmo que seja verdade o conteúdo da nota da revista “Sábado”, atendendo à reconhecida dificuldade de BH em conviver com as regras democráticas, e estar a criar um impasse para subir a parada negocial com o PS, nunca lhe interessaria a divulgação da mesma, por contribuir para desacreditar, ainda mais, a sua imagem de político em que a arrogância é inversamente proporcional à competência. Ficam então de pé as hipóteses de a “plantação” ter sido feita pelo Movimento Sintrenses com Marco Almeida e partidos que o apoiam, ou então ter vindo de “dentro” do PS. Diante destas duas possibilidades, uma leitura impressionista conduziria às forças do candidato independente. E foi apostando neste raciocínio do leitor/eleitor, que a manobra de diversão foi desenhada.

Numa primeira fase, será fácil soprar as suspeitas na direcção do adversário político, mas com o tempo, as inevitáveis fugas de informação e, essencialmente com a divulgação da lista, a claro ficará “a mão que embalou o berço”, provocou estragos na recandidatura de BH e inevitavelmente, deu mais dividendos à candidatura de Marco Almeida. Embora comparado com a ficção(?) da série “House of Cards”, a vida política em Sintra seja uma espécie de Lagoa Azul de tranquilidade, e comparado com Francis Underwood, Rui Pereira não passe de aspirante a menino do coro, é caso para dizer que esta gente não brinca-em-serviço e não perdoa.

 

 

João de Mello Alvim

 

 

(1)-Na mesma, escrevia-se que o autarca só se recandidatava se “houver sondagens que lhe apontem uma vitória inequívoca”.

 

(2)-Uma das razões da demora da divulgação da recandidatura, tem a ver com as negociação de Basílio Horta com o PS nacional tendo em vista uma promoção política, não num cargo que exija competência política democrática – que já provou não ter – , mas dentro do cardápio de sinecuras que o PS lhe poderá oferecer, no chamado “chuto para cima”.

 

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Da confirmação do ditado popular, à jogada eleitoralista de Basílio Horta, em Sintra

 

Se é a saúde que está em causa, como não saudar o lançamento de concursos e o início da construção de renovados, ou novos, Centros de Saúde em Sintra? Mas o saudar e congratular com esta iniciativa, implica que se atribua, em exclusivo, os méritos ao PS/Basílio Horta? Naturalmente que não. Uma recessão deste malfadado processo, assim como o da construção do, já mítico, Hospital, implica responsabilidades, inoperâncias, meias-verdades e, muita falta de vontade política dos anteriores Executivos, tanto do PS como do PSD.

Novo Centro de Saúde Sintra

Identificadas há anos as carências do sistema de saúde em Sintra, tanto a nível dos Centros de Saúde como da ausência de um Hospital, o problema serviu para alimentar (uma das já clássicas) promessas eleitorais, transformou-se em arma de arremesso inter-partidário, e serviu para expandir os lucros económicos da rede de “saúde privada”. Tudo isto para desespero e incómodos de toda a ordem dos munícipes. E aqui não há inocentes, ou seja, tanto o PS como o PSD, e os outros partidos com quem se coligaram ou que aceitaram pelouros, não podem “sacudir a água do capote”. Se o PS/Basílio Horta aparece agora a reivindicar esta “obra”, como exemplo contrário ao dos “12 anos sem obra”, não só está a deturpar a realidade, como a tentar desresponsabilizar o PS neste processo.

Saudemos pois “a obra”, esperando, sinceramente, que o afã pré-eleitoral não venha a trazer problemas para outros resolverem, como é o caso do novo Centro de Saúde de Sintra, onde não me parece acautelado o sistema de acesso e estacionamento*, mas não deixemos branquear responsabilidades passadas. Assim como não deixemos de ter presente que estes novos Centros só servirão plenamente os cidadãos, se o Hospital de Sintra se transformar em realidade. E neste particular, como não sorrir à súbita magnanimidade de Basílio Horta quando este anuncia que, se for preciso, a Câmara custeia por inteiro a construção deste equipamento? Ou seja, coerente com a sua incoerência política, o actual Presidente, fundador do CDS e eleito, por indicação do PS, foi, adaptando o ditado popular, colocando a sua proverbial arrogância política entre as pernas e, em poucos meses (e já com mais de 70 milhões nos cofres dos bancos), passou da exigência e ameaça ao governo para que construísse o Hospital, do recuo de Hospital para Pólo Hospitalar, do contributo com a cedência dos terrenos e 20% do valor da construção, para o recente anúncio de que a Câmara pode pagar a totalidade da construção do novo Pólo Hospital*…Será esta uma jogada para convencer, internamente, os mais renitentes a apoiar a sua recandidatura? Ou é um dos trunfos que, neste mesmo blog referi, estão na manga para serem lançados ao ritmo da estratégia ditada pela campanha eleitoral?

 

João de Mello Alvim

 

 

 

*A construção do Centro de Saúde em Sintra, na Av. Desidério Cambournac, deixa adivinhar problemas com a fluidez do trânsito e com o estacionamento, já que o edifício fica “entalado”, entre a referida avenida e a linha do comboio (ver foto)

**http://www.cmjornal.pt/portugal/cidades/detalhe/camara-de-sintra-disponivel-para-pagar-novo-hospital

(Na foto, novo centro de Saúde de Sintra)

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