Razões para um regresso

Há anos, assinava uma coluna no Jornal de Sintra com este título. Os temas eram soltos e nasciam de um olhar, de uma conversa, de uma leitura, de um pensamento. Impunha a mim mesmo três preceitos: que a crónica, não ultrapassasse três parágrafos; o tema não fosse restrito à área a que estou ligado e que, o direito à opinião, com mais ou menos ironia, não resvalasse para o enxovalho ou insulto.

 

Embora nunca tenha saído destas guias, outros, numa desesperada procura de argumentos, intentaram que as tinha ultrapassado e prejudicado politica e pessoalmente. Pretendiam negar o direito de expressar as minhas opiniões, amarrando-as à minha condição de responsável por uma associação cultural em Sintra. A tentativa de silenciamento – que passou pela barra dos tribunais -,saiu gorada por falta de consistência da acusação, e pela defesa que gente de vários sectores profissionais de Sintra manifestaram, quando chamados a depor. Tenho memória e a gratidão faz parte dela: não esqueço a disponibilidade desses amigos.

 

Passada esta saga que, salvo erro, demorou seis anos, resolvi que, enquanto fosse dirigente da associação cultural, não escreveria mais sobre o que via, ouvia e lia sobre Sintra. A mesquinhez e a revanche podiam voltar, e a associação era a primeira vítima. Durante estes quatro, cinco anos, em que mantive a minha determinação, vários foram os desafios para reconsiderar, que me chegaram dos meus “catorze fiéis”, como diria o grande jornalista, já falecido, Júlio Pinto quando se referia aos seus inúmeros leitores do Diário Popular – os meus eram mesmo catorze ou menos. E para além dos desafios havia (há) também a vontade, o gosto pela escrita, pela anotação, pela reflexão.

Longa já vai a explicação para o regresso do “Três parágrafos” – agora em formato de blog e sem periodicidade -,tão longa, que é anunciada no quarto parágrafo…

 

João de Mello Alvim

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