O panorama desolador da comunicação social, em Sintra

 

 

Longe vai o tempo em que existia em Sintra comunicação social informativa e interveniente, em quantidade e variedade, embora nem sempre em qualidade com raras e notórias excepções. De há uns anos a esta parte a quantidade caiu vertiginosamente, a variedade afunilou e a qualidade deixa muito a desejar, mesmo com o aparecimento de novas tecnologias de difusão. A ligação às forças partidárias, é um factor que se mantem inalterado, salvo raros desvios a esta regra.

Que jornais, sites, rádios e Tv´s se podem ver/ler/ouvir em Sintra que reflictam a realidade social e política do concelho? Com o risco de cometer alguma injustiça, o panorama é desolador, os jornais mais parecem folhetos de anúncios de um qualquer supermercado, salpicados por notícias na maioria das vezes não editadas e sem obedecer a uma unidade no seu conjunto. Resiste o “Jornal de Sintra”, com dois ou três colaboradores que não se pode deixar de ler, mas, e com todo o respeito pessoal pela sua directora, sem um rumo, sem inovação. De assinalar, no entanto, a resistência às vicissitudes que toda a imprensa passa e a independência partidária. Com outras características editoriais por ser “um jornal metropolitano (…) com edições semanais ou quinzenais, distintas em vários concelhos”, está o Jornal da Região-Sintra(JR-S). Mais criterioso na selecção e tratamento das notícias, tentando que a opinião não contamine a informação, e trilhando um rumo que não será especulativo imaginar de constante tensão entre a administração e a redação, o JR-S é o melhor exemplo de jornalismo independente que se faz em Sintra, sendo que o director, Paulo Parracho, nunca escondeu a sua filiação partidária(PSD) e inclusive foi eleito pelo seu partido para um órgão autárquico. Por outro lado, a rádio que existe é essencialmente de entretenimento e amolecimento. Restam as publicações online e uma televisão local, suponho que a única, depois da paragem da “Alagamares TV”.

Destas é justo salientar o infatigável trabalho de recolha do site “Tudo sobre Sintra”, uma incontornável fonte de consulta onde a imparcialidade é evidente, a “Saloia TV” e o “Sintra Notícias”. Ora estes dois últimos exemplos são paradigmáticos da forma como se situam perante as forças partidárias. Se no primeiro, goste-se ou não do estilo – e eu não gosto -, é assumida a defesa de uma candidatura, a do independente Marco Almeida, o segundo, para além de ser uma espécie de cópia do site da Câmara, é um defensor encapotado da estratégia política do PS/Sintra e do seu candidato, violando o que está escrito no seu estatuto editorial: “(…) O SINTRA NOTÍCIAS rege-se por critérios de rigor e imparcialidade no tratamento da matéria informativa; O SINTRA NOTÍCIAS assume a sua independência institucional, ideológica, política e económica na selecção e tratamento dos conteúdos informativos que disponibiliza aos seus utilizadores”.

Chega a ser confrangedora a forma, parcial, como são tratados os conteúdos editoriais. Não seria mais profissional e menos ridículo aos olhos dos leitores, que não são só os alinhados com a actual direcção da Concelhia do PS, assumir publicamente a defesa da estratégia do PS/Sintra e a manipulação das informações relativas à candidatura de Marco Almeida a quem, invariavelmente chamam candidatura da coligação PSD/CDS, tentando branquear quase quatro anos de trabalho dos aderentes ao Movimento Sintrenses com Marco Almeida? Ou o SN parte do princípio de que os leitores são acéfalos e meia-dúzia de partilhas de uma notícia no facebook são sinal de sucesso informativo?

 

João de Mello Alvim

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Um pensamento sobre “O panorama desolador da comunicação social, em Sintra

  1. Pode parecer estranho que em Sintra, pelo seu espaço e elevada população, apenas – em termos práticos – o TudoSobreSintra corresponda à cobertura do que é a nossa vida concelhia.
    Por outro lado, a independência paga-se caro e, sem dúvidas da nossa parte, o TudoSobreSintra paga exactamente por isso.

    O apreço que temos pelo TSS leva-nos a compreender que não seja hoje tão completo com o era quando do seu início, porque a honestidade e independência se tornam muitas vezes incómodas.

    Em Sintra não há jornalismo de investigação o que é um infeliz sintoma, pois tanto haveria para se tornar público com o devido suporte.

    Se estivermos atentos às páginas das diferentes edições, salta logo à vista quem é o maior comprador de publicidade…e é com esse dinheiro que os média sobrevivem.

    Há bons jornalistas? Sim. Mas o poder não quer bons jornalistas.

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