A mentira como estratégia política, em Sintra

 

A recorrência, por sistema, à mentira por parte dos agentes políticos, é um contributo assassino para o descrédito da Política como actividade nobre e necessária, na gestão da vida das comunidades. Em nome de uma arvorada “flexibilidade táctica” diante problemas, uns decorrentes no natural dia-a-dia da governação, outros provocados para esconder falhanços ou incompetências, a mentira surge como uma prática cobarde, como um expediente para ganhar tempo ou manobra dilatórias, com o intuito de desviar o essencial das questões. Na base, para além do atropelo às mais elementares regras da convivência democrática, está a sobranceria pacóvia como aquilatam da inteligência dos cidadãos e da vivência transparente da Pólis.

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Em Sintra, e desafortunadamente não só em Sintra, esta prática é conferível comparando o que diz, escreve e faz, com o que se disse, escreveu e prometeu. Com um descaramento ostensivo, recorrendo a malabarismos retóricos, tentam descartar responsabilidades assumidas, apresentando-as como interpretações abusivas ou equívocas, neste caso quando o aperto para a manobra é menor. E se a desmontagem da falácia é feita, de forma clara, por A mais B, a sequência é a da cartilha: primeiro a hipocrisia de um suposto mal-entendido, que é sempre de quem ouviu nunca de quem disse, e, se não resultar, a máscara cai enquanto se sobe para o degrau da prepotência e da arrogância. Em Sintra, com mais facilidade atendendo à incubação política, nos valores, “indiscutíveis” da trilogia Deus, Pátria e Família, do actual Presidente. E há marcas políticas que, por mais liftings que sejam feitos, permanecem para sempre, contaminando a forma de estar na política e o exercício do Poder.

Diante desta injunção que nos querem impor como paradigma indubitável, três são as posições possíveis. Ou demitirmo-nos dos nossos direitos e deixamos de querer saber; ou, gradualmente, aceitarmos e moldarmo-nos passivamente ao, “eles é que sabem”, ou, então, reagimos na defesa dos nossos direitos constitucionais. Se as duas primeiras opções servem como uma luva os protagonistas da mentira e do quero-posso-e-mando, já o exercício do direito à indignação, é água em pedra-dura, em prol da transparência democrática e oposição cidadã à mentira e aos labirintos para onde nos querem empurrar, e fazer perder o rumo. É ainda impedir que a (de)formação congénita, se instale como modelo de governação, porque a democracia representativa é indissociável da democracia participativa.

 

 

João de Mello Alvim

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Uma resposta a A mentira como estratégia política, em Sintra

  1. Fernando Castelo diz:

    De cada vez que vejo uma mentirola de baixo nível (acho até graça às mentirolas bem construídas, em português bem falado ou escrito) lembro-me sempre de Salazar e da maldita cadeira que, se não tivesse rasgado a lona, ainda hoje teríamos – por sua vontade e desejo – um Presidente do Conselho insubstituível.
    Mas deixou sementes. Deixou aqueles rapazinhos a que a Mocidade Portuguesa dedicava atenção por passarem do sétimo ano e serem as figuras brilhantes do futuro pátrio. Salazar,
    E, como a democracia não é uma palavra vã, há meia dúzia de “pequenotes” vocacionados para a exaltação dessas figuras, eles próprios também esquecidos da realidade a que todos os dias assistimos.
    Daí que, de uma forma ou de outra, pretendam calar, pressionar para que se calem aqueles que não se deixam levar por promessas balofas, ainda por cima em mau português.
    Desistir? Essa seria a primeira vitória do embuste.

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