Mais uma derrota política da recandidatura de Basílio Horta?

Tudo leva a crer que se concretizou mais uma derrota política para Basílio Horta e que o desespero vai, cada vez mais, minando os promotores da sua (re)candidatura à Câmara de Sintra. Depois de trazer uma mão cheia de nada das conversas-com-ementa, com representantes, ao mais alto nível da sua área ideológica (PSD e CDS), no sentido de esvaziar a candidatura do independente Marco Almeida. Depois de ter tido o mesmo resultado com as aproximações feitas, posteriormente, à esquerda, o actual Presidente voltou-se novamente para o CDS, mas agora a nível local. A estratégia foi delineada numa lógica de aproveitamento das divergências entre os dois partidos da direita para encontrar um candidato único para Lisboa, e ainda  na exploração de mágoas antigas do CDS/Sintra em relação ao seu parceiro de coligação em 2103.

mais-uma-derrota-2-fotomontagem-de-jorge-lima(Fotomontagem de Jorge Lima)

Se a nível nacional a coligação PSD/CDS sustentava o governo de Passos Coelho, de triste memória, em Sintra a relação entre estes dois partidos desde as últimas eleições autárquicas, percorreu/percorre uma rota diferente e, por vezes, crispada. Na génese, depois da renúncia de Pedro Pinto, a preterição do elemento do CDS, que estava em terceiro lugar, – e como tal, subiria a segundo -, pelo quarto nome da lista, a actual vereadora Paula Neves(PSD). Este salto no alinhamento dos nomes nas listas concorrentes à vereação, provocou inclusive a separação das representações partidárias na Assembleia Municipal. Entretanto, em Lisboa, a anunciada novela do antes e do depois da apresentação da candidatura de Assunção Cristas, criou fricções entre os dois partidos, que se repercutiram em Sintra. Ora é na exacerbação e injunção destes dois factos, que Basílio Horta(BH) tenta abrir uma desesperada janela de oportunidade, já que foi co-fundador do CDS e tem a vantagem de, estando no Poder, ter acesso a um cardápio de oferta(s) aliciante.

No entanto, e mais uma vez, a estratégia desmoronou-se. A postura que a Direcção Nacional dos “democratas-cristãos” tem mantido em relação a Sintra – de distanciamento aparente, porque não lhe interessa que o CDS concorra em pista própria, pois os resultados podem ser humilhantes -, assim como a aproximação de Marco Almeida a Ribeiro Castro, militante do CDS que, na gíria popular, “nunca virou a casaca” ( e são públicas as suas divergências com muitas das orientações do partido ), têm travado a manobra, prenunciam mais uma derrota política de BH e acentuam o desespero nos seus apoiantes que duvidam, mas “nem às paredes confessam”, do resultado de Basílio Horta contra os adversários agora unidos. No jogo de forças, igualmente entram outros factores, como as boas relações entre as Juventudes dos dois partidos, e a indignação de uma minoria de socialistas que não consideram a ideologia como um adereço, nem a acções dos partidos meramente instrumentais – ao contrário da actual Direcção Concelhia e de alguns “íntegros” que, de opositores à indicação de BH, progressivamente, se têm tornando, nos mais radicais defensores do actual Presidente e da sua estratégia política, mais assente na cegueira da soberba (que tem dividido) do que na humildade da sabedoria (que tem unido).

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