Independentes e dependentes

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Se um independente é aquele que não tem filiação partidária, Marco Almeida(MC) é um independente, pese todo um processo (para mim pouco claro) que o levou à ruptura e posterior expulsão do PSD (aqui, para mim, mais claro, por entrar em colisão com os estatutos), que se mantêm na sua área ideológica, mas não concorreu, nem irá concorrer, por um partido. Já Basílio Horta (que não sei se ainda tem o cartão do CDS), concorreu e ao que parece concorrerá, indicado pelo PS*, partido que, teoricamente, não ter a ver com a sua área ideológica, mas onde esta figura, da direita radical, encontrou a sua “placa de portas-giratórias”, basta conferir o seu percurso político a partir do final dos anos 90. Basílio Hora(BH) é, assim, um independente-dependente que vem suprir, à consignação e, não custa a crer, escorado em “cláusulas de conforto”, a impotência** do PS local em encontrar, para cabeça de lista às eleições autárquicas, uma personalidade dentro do próprio partido, ou de esquerda, de Sintra, ou não, que aceitasse o desafio pelo gosto do desafio da governação e não para (continuar a) ter direito a um visto-gold no “toma lá, dá cá” do bloco central de interesses, que tem raízes fundas e comunicantes, tanto no PS como no PSD – sem esquecer o CDS que anda, sempre, à boleia.

Por outro lado, MC sublinhou a sua condição de independente quando, depois de derrotado nas urnas, recusou cargos que lhe foram oferecidos, que lhe franqueariam passadeiras para os tráficos de influência e voltou à sua profissão de professor (decisão que não é habitual no percurso dos jotas partidários), mantendo-se, no entanto, como vereador e líder da oposição (que há anos não se via em Sintra). Tenho muitas dúvidas que BH, em caso de derrota, ficasse como vereador, prescindindo de accionar a “cláusula de conforto”, com ligação directa ao “banco de sinecuras” do PS/PSD.

BH, com um percurso feito essencialmente na direita trauliteira – que ele não renega, colocando-se no extremo do pensamento da direita de valores e diálogo, como é o caso do prof. Adriano Moreira, ambos do CDS e, antes, da União Nacional fascista – foi, e vai ser colocado à cabeça de lista do PS, partido que, teoricamente, nada tem a ver com a ideologia do seu candidato; MC, se aparecer à cabeça do seu Movimento e se aceitar o apoio de partidos da sua área ideológica, não vende gato por lebre. É que, por mais sapos que engulam e contorcionismos verbais, e escritos, que tenham de fazer alguns verdadeiros socialistas – que os há no PS/Sintra, com mais ou menos facas espetadas nas costas -, uma coisa é comum aos dois candidatos: nenhum é ou defende o socialismo, sendo que o mais enfático na rejeição, é, suprema ironia, o actual Presidente. Quem não se lembra do célebre debate televiso com Mário Soares, onde naquele tom truculento que caracteriza a sua arrogância política, BH disse que “o socialismo é olhar para o passado”?

 

João de Mello Alvim

 

* “(…) Ao vincar a aplicação do princípio da recandidatura dos actuais presidentes de câmaras ou de juntas de freguesia nas eleições autárquicas do próximo ano, António Costa e a direcção dos socialistas pretendem impedir que se registem em concelhias ou em secções partidárias tentativas de derrube por “golpe de aparelho” aos autarcas que se encontram em funções”, António Costa na reunião da Comissão Nacional do PS, Público, 4 de Novembro 2016

** Ou à imposição da “nomenclatura” que o dirige actualmente que, em caso de vitória, terá direito a prebendas pelos seus bons-ofícios, mas também o terão em caso de derrota, à boleia dos “empenhos” de BH.

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