O pânico e o riso

A recente divulgação pública de uma, das muitas sondagens que os partidos fazem, na qual Fernando Seara aparece como o nome mais bem colocado para voltar a encabeçar uma eventual candidatura do PSD, às próximas eleições autárquicas em Sintra, já tinha feito disparar o alerta laranja nos profissionais, e aspirantes, do aparelho do PS local, que sabiam dos resultados da sondagem através do “sistema de vasos comunicantes”, tipo irmandade, que existe entre o PSD/PS.

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Mas, como é que a perder por 12-0 (doze anos “sem obra”, doze golos sofridos; três, “com obra”, baliza invicta), o esbanjador e incompetente ex-Presidente Fernando Seara, é o nome preferido dos sintrenses consultados na amostragem? Ingratidão insana do povo para com a gestão, cumpridora do prometido em campanha eleitoral, do actual Presidente, que, não só “faz obra”, como poupa milhões.

Por outro lado, não custa imaginar que toda esta excitação preocupada, tenho divertido à farta Fernando Seara. Não pelos resultados – que o comoveram, estou certo, sinal de que, embora não tenho feito “obra”, como propagandeiam, mantem com Sintra e com os sintrenses, uma relação afectiva, que o actual Presidente, por mais camadas de verniz que lhe “prantem” em cima, não consegue gerar – aliás o verniz estala (sempre) antes mesmo de ser posto à prova, a fazer lembrar a fábula da rã e do escorpião.

Não acredito que Fernando Seara venha a ser (re)candidato. Não porque não ganhasse, confortavelmente, as eleições se o aparelho do PS voltar a insistir – tendo em vista sinecuras futuras, mesmo com a derrota – no candidato vindo da direita trauliteira para cabeça-de-lista. Não se (re)candidata porque, embora ficasse ligado a Sintra e às suas gentes e goste do jogo político, Fernando Seara, tem percurso académico e profissional sólido, para andar à cata de emprego ou/ e outros dividendos político/partidários  e sabe-lhe bem “a sabática” a que se remeteu. A não ser que seja necessário um elo credível e motivador, para selar o fim da luta fratricida no PSD/Sintra…

 

João de Mello Alvim

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Um mês depois

Faz hoje um mês que, numa reunião pública da Câmara Municipal de Sintra, a uma declaração minha sobre a política cultural em Sintra, o actual Presidente da Câmara, espingardeou para tentar confundir o motivo central da intervenção (a política errática e economicista seguida por este Executivo), com um motivo da minha vida pessoal, assim como (disse ele) o insucesso da associação cultural do concelho que dirigi cerca de 30 anos e, cereja em cima do bolo, como não lhe admiti a incursão na minha vida pessoal, assim como a demagogia dos números e da argumentação(?), disse-me, mais ou menos, que se quisesse mais alguma coisa podíamos conversarmos lá fora.

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Não me admirei com a desbragada e descontextualizada resposta (?) desta (triste) figura formada na direita trauliteira (e, sabe-se bem porquê, à cabeça como” independente” de uma candidatura do PS), pois, sobre a mesma, bem se pode dizer que é mais composta de traje do que de modos. Provavelmente dei-lhe troco em demasia, e aí estive mal, pois deixei que me levasse para o seu jogo provocatório. E sobre o “conversar lá fora”, não faltará oportunidade de lhe perguntar,  cara a cara, o que foi que ele quis dizer.

Um mês depois, e para encerrar o assunto, o meu agradecimento a todos os que me apoiaram na decisão, difícil, que tomei. Muitos fizeram-no com posts no facebook; a maioria, no entanto, fê-lo pelo telefone ou através de sms´s e mensagens privadas, e eu percebo o uso deste último meio. Assim como fiquei a perceber melhor outros, através das suas insinuações torpes, ou do  seu silêncio ruidoso, ou amedrontado, ou cúmplice, não declarado, com a “performance” do Presidente.

Duas notas finais: 1 – Ao contrário da mentira propalada, a minha mudança de residência para fora do concelho de Sintra, foi uma consequência, não a causa para sair da direcção da associação a que presidi, e com a qual continuo a trabalhar, agora noutras funções; 2 – Liberto das amarras que a minha função anterior me aconselhavam, voltarei, em breve, à regularidade com publicações neste mesmo blog, “Três parágrafos” (filho da coluna semanal do Jornal de Sintra de há uns anos atrás, ainda não passava pela cabeça de ninguém que  Basílio Horta fosse eleito Presidente da Câmara de Sintra, numa lista do PS…).