DA ARROGÂNCIA ENVERNIZADA, OU DA DIFICULDADE DOS NASCIDOS E CRIADOS NA DIREITA RADICAL, EM VESTIR O FATO DE DEMOCRATAS-NOVOS

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A estória foi, mais ou menos, assim (corrijam-me no que não for) e diz muito dos que, crescidos na direita radical, por mais reciclagem, interesseira, que queiram fazer, ficam sempre muito apertados no fato de democratas-novos.

A Associação Cultural Utopia, num gesto de grande dignidade, decidiu que nas actuais circunstâncias, devia acabar a sua actividade no panorama cultural de Sintra. Lançou um livro dos 20 anos de actividade e foi concebida uma performance da morte da Utopia, integrada numa edição da recente iniciativa, Ofensiva Armada.

A performance começou em frente do Legendary , conhecido bar na rua Dr. Alfredo Costa/Sintra , onde a associação nasceu, e tinha como objecto central um caixão transportado e acompanhado, por membros do grupo e outros criadores amigos, mas aberto também a quem se quisesse associar, no percurso entre o icónico bar e o Olga Cadaval. Dentro do Olga Cadaval continuaria a performance.

Não é preciso muita imaginação para ver no objecto caixão um símbolo, e não qualquer intuito de ofensa (mas a quem, pergunto?).

Pois não é que “de cima” choveu um primeiro telefonema a “desaconselhar” a performance? Mas o cortejo tinha autorização da Polícia Municipal. Então, num segundo telefonema, “de cima”, veio (sem máscara) a ameaça que se o caixão entrasse no OC, cortavam-se os apoios. Depois da (curta) perplexidade pois cada vez mais a máscara vai caindo, gerou-se a dúvida: a quem é que se cortava o apoio (o conhecido “fechar da torneira”), se a Utopia estava morta? Ou seria o subsídio de funeral?

Se o ridículo matasse, não seria um, mas dois funerais. Pessoalmente só lamentava (como lamento) o da Utopia.

 

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