Da prosápia merceeira,oportunista e ignorante

Hoje a Compª de Teatro de Sintra estreia a sua 73ª produção. O texto não é de um qualquer obscuro autor, mas de um incontornável mestre do teatro do séc. XX, Tennessee Williams, e assina a encenação (a adaptação e tradução) não um nome qualquer, mas uma especialista da obra do mestre, a Graça P. Corrêa. O Chão de Oliva (CO), aqui através de uma das suas estruturas criativas, a Compª de Teatro, dá assim mais um passo na afirmação de um percurso artístico que para o ano somará 30 anos ao serviço da comunidade.

Por esta e outras razões, é-me penoso ver o CO andar, constantemente, com o coração nas mãos, obrigado à via-sacra dos pedidos, a insistir, a ser tratado como concorrente pelas castas instaladas, a ser tratado como subsídio-dependente, a obter apoios que partem de preâmbulos do género: “isto é para o teatro, coitados, se não dermos eles desaparecem”. Isto dito por “personalidades” que vivem à babujem erário público.

Não falo em tratamento de excepção, mas adequado. O Chão de Oliva faz um trabalho de utilidade pública em várias áreas, tem direito a ter apoio oficial (que na maioria dos casos é substancialmente inferior ao gasto directamente pelas mesmas entidades oficiais, num só “evento de acender e a apagar”, do qual só fica um efémero rasto). A associação, juntamente com outras estruturas particulares, contribui com cerca de 80% da oferta anual artística (criativa e formativa) em Sintra. Como tal merecia mais respeito, carinho e estímulo por parte dos poderes. E não faço generalizações, sei quem entende, reconhece e estimula este trabalho, como sei quem, ou por pedantismo, ou com medo (ridículo) de perder protagonismo, ou porque não gosta de mim, ignora a importância de ter instalado no concelho, entre outras, uma associação com o historial e o prestígio do Chão de Oliva.

Pessoalmente estou a atingir o limite. Estou farto de aturar enfatuados paraquedistas que, por percursos ínvios (mas essencialmente tendo em conta os seus objectivos pessoais), à custa de cartões partidários, ou encostados aos mesmos, se arrogam o direito de, como eles dizem, “abrir e fechar torneiras”. Puta que os pariu!

Podem parar o crescimento do CO ou mesmo contribuir para o seu definhamento. Duas coisas essas cabecinhas formatadas não vão nunca conseguir: apagar o historial do grupo, a sua importância na potenciação do movimento artístico em Sintra; a segunda é que não me vão esmagar, porque já enriqueci à custa dos subsídios dados ao Chão de Oliva! Vivo numa casa alugada, tenho dois carros (um de 1990), cerca de três mil livros, uma mulher, uma filha dois netos (um já cá, outro a chegar), e um cão. E, acima de tudo, tenho a consciência tranquila.

(ESTE TEXTO FOI ESCRITO NA QUALIDADE DE CIDADÃO E NÃO DE PRESIDENTE DO CO)

“Os filhos da Lua”, foto (de ensaio) de António Bagorro
Filhos da lua 1
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s