Casino

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No final do mandato, legal mas não ponderadamente, o anterior Executivo camarário assinou um protocolo para a instalação do espólio do gravador Bartolomeu Cid no Casino, edifício que já foi museu (sem se afirmar, diga-se, por falta de estratégia de quem o dirigia),primeiro espaço do Chão de Oliva (e onde nasceu a primeira companhia de teatro profissional de Sintra), escola preparatória e repartição de finanças, mas nunca casino.

Nada me move contra o artista – foi mesmo por indicação de um dos meus mestres, era então eu um jovem estudante de Belas-Artes, Ângelo de Sousa, a minha primeira referência na gravura -, mas não estou convencido que a instalação do espólio deste gravador de prestígio internacional, seja a melhor opção na actual gestão dos espaços municipais, assim como na dinâmica da oferta artística daquela zona da Estefânia.

Actualmente, Sintra precisa de um espaço de gestão partilhada, município/agentes culturais com provas de gestão e programação dadas, que permita a disponibilização de salas para conferências e congressos, assim como de salas para ensaios, apresentação de pequenos espectáculos de artes performativas e exposições de artes plásticas, prioritariamente destinadas aos jovens criadores. A articulação da oferta dos espaços instalados nesta zona, de que a Vila Alda não pode ser excluída, ajudará a potenciar a dinamização da oferta artística, na diversidade vertical e horizontal: em rede, intransigente com a vulgaridade e a mediocridade, mas sem preconceitos elitistas.

João de Mello Alvim

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2 pensamentos sobre “Casino

  1. Inteiramente de acordo, João de Mello Alvim. Acho mesmo muito peculiar a intenção de guardar toda a obra do grande gravurista Bartolomeu Cid dos Santos num espaço que não é propriamente vocacionado para guardar (armazenar é palavra forte demais) um espólio artístico fabuloso, sem dúvida, mas que nunca poderá estar exposto permanentemente na sua totalidade. É clamorosa a falta de uma Pinacoteca em Sintra, por isso deveria haver um espaço de grande relevância para Cid dos Santos, mas nunca ocupar cerca de 90% da área disponível exclusivamente com a sua obra. Falta um espaço próprio para guardar todo o acervo pictórico da Câmara Municipal, que anda disperso e oculto da fruição do público. Será necessário um espaço próprio, construído de raiz para guardar o acervo do município, e o Casino deveria ser dedicado à exposição rotativa desse mesmo acervo.

  2. Muito assertivo João. Seria bom que aqueles que normalmente se designam “quem de direito”, muitas vezes sem rosto mas que existem, lessem este seu artigo
    1 Abraço
    RG

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