A mania da perseguição na política, em Sintra

O “Três Parágrafos” de hoje, não é da minha autoria. Encontrei-o no blogue Ataques de Pânico, e é assinado por Marta Reis. Penso que pode ser útil como reflexão, atendendo ao que se ouve, e lê, sobre a actual situação política em Sintra.

João de Mello Alvim

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“Mania” da perseguição

 

“Quando falamos em ”mania da perseguição” muitas vezes não é propiamente uma perseguição física, mas sim uma desconfiança em relação a tudo o que rodeia a pessoa.

Em termos psiquiátricos diz-se que as pessoas que sofrem desta perturbação têm uma Personalidade Paranóide. Este transtorno da personalidade pode ter vários graus, afetando a vida pessoal e profissional das pessoas mais ou menos consoante a gravidade. A principal característica das pessoas que sofrem deste transtorno é a suspeição e desconfiança em relação aos outros.  Normalmente estas pessoas sentem muito medo de serem humilhadas ou gozadas, então estão sempre alerta para o que se passa ao seu redor.

Algumas das caraterísticas que se podem observar em quem tem uma Personalidade Paranóide são: Desconfiança em relação a toda a gente (amigos, familiares, colegas de trabalho), pensando que todos têm intenções negativas no que fazem;(…) Humilhação constante, partindo do pressuposto que as ouras pessoas estão frequentemente a falar mal nas suas costas; (…)

Esta perturbação pode ter origem na infância da pessoa, devido a acontecimentos traumatizantes ou da necessidade precoce de lidar com situações hostis. A vida pessoal e profissional pode ser muito afetada por esta perturbação e por isso é necessário procurar tratamento o mais rapidamente possível. O diagnóstico por vezes é difícil pois esta perturbação pode surgir associada a outras patologias como a agorafobia, transtorno obsessivo-compulsivo ou mesmo esquizofrenia. Além de recorrer ao psiquiatra, o tratamento passa por diversas sessões de psicoterapia, de forma a moldar este traço específico da personalidade da pessoa, evitando que prejudique a sua vida”.

 

Marta Reis

blogue Ataques de Pânico

Artigo completo  https://ataquespanico.pt/mania-da-perseguicao/

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Mais uma derrota política da recandidatura de Basílio Horta?

Tudo leva a crer que se concretizou mais uma derrota política para Basílio Horta e que o desespero vai, cada vez mais, minando os promotores da sua (re)candidatura à Câmara de Sintra. Depois de trazer uma mão cheia de nada das conversas-com-ementa, com representantes, ao mais alto nível da sua área ideológica (PSD e CDS), no sentido de esvaziar a candidatura do independente Marco Almeida. Depois de ter tido o mesmo resultado com as aproximações feitas, posteriormente, à esquerda, o actual Presidente voltou-se novamente para o CDS, mas agora a nível local. A estratégia foi delineada numa lógica de aproveitamento das divergências entre os dois partidos da direita para encontrar um candidato único para Lisboa, e ainda  na exploração de mágoas antigas do CDS/Sintra em relação ao seu parceiro de coligação em 2103.

mais-uma-derrota-2-fotomontagem-de-jorge-lima(Fotomontagem de Jorge Lima)

Se a nível nacional a coligação PSD/CDS sustentava o governo de Passos Coelho, de triste memória, em Sintra a relação entre estes dois partidos desde as últimas eleições autárquicas, percorreu/percorre uma rota diferente e, por vezes, crispada. Na génese, depois da renúncia de Pedro Pinto, a preterição do elemento do CDS, que estava em terceiro lugar, – e como tal, subiria a segundo -, pelo quarto nome da lista, a actual vereadora Paula Neves(PSD). Este salto no alinhamento dos nomes nas listas concorrentes à vereação, provocou inclusive a separação das representações partidárias na Assembleia Municipal. Entretanto, em Lisboa, a anunciada novela do antes e do depois da apresentação da candidatura de Assunção Cristas, criou fricções entre os dois partidos, que se repercutiram em Sintra. Ora é na exacerbação e injunção destes dois factos, que Basílio Horta(BH) tenta abrir uma desesperada janela de oportunidade, já que foi co-fundador do CDS e tem a vantagem de, estando no Poder, ter acesso a um cardápio de oferta(s) aliciante.

No entanto, e mais uma vez, a estratégia desmoronou-se. A postura que a Direcção Nacional dos “democratas-cristãos” tem mantido em relação a Sintra – de distanciamento aparente, porque não lhe interessa que o CDS concorra em pista própria, pois os resultados podem ser humilhantes -, assim como a aproximação de Marco Almeida a Ribeiro Castro, militante do CDS que, na gíria popular, “nunca virou a casaca” ( e são públicas as suas divergências com muitas das orientações do partido ), têm travado a manobra, prenunciam mais uma derrota política de BH e acentuam o desespero nos seus apoiantes que duvidam, mas “nem às paredes confessam”, do resultado de Basílio Horta contra os adversários agora unidos. No jogo de forças, igualmente entram outros factores, como as boas relações entre as Juventudes dos dois partidos, e a indignação de uma minoria de socialistas que não consideram a ideologia como um adereço, nem a acções dos partidos meramente instrumentais – ao contrário da actual Direcção Concelhia e de alguns “íntegros” que, de opositores à indicação de BH, progressivamente, se têm tornando, nos mais radicais defensores do actual Presidente e da sua estratégia política, mais assente na cegueira da soberba (que tem dividido) do que na humildade da sabedoria (que tem unido).

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Os perigos do novo modelo de gestão dos Parques Naturais

A intenção anunciada pelo governo em alterar o modelo de gestão dos Parques Naturais, não deixa de ser preocupante pelo modelo que pretende implementar. Se o actual, com os seus labirintos decisórios kafkianos não é o mais ajustado, o (por agora) experimental, pode conduzir à promiscuidade política/construção desenfreada e ao reforço da pressão do lucro (imediato),por parte de alguns, em detrimento do bem comum das populações, reflectido na singularidade dos territórios que devem ser cuidados e preservados(o lucro a longo prazo).

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Segundo o Ministro do Ambiente*,vão “continuar a existir diretores regionais do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas(ICNF), mas haverá uma direção em cada parque natural que será presidida por um autarca, com a responsabilidade de olhar aquele território como um ativo que deve ser promovido e o ICNF manterá as funções de preservação da natureza”. E à pergunta de como será possível “garantir isso se ao longo de anos os autarcas agiram como inimigos das áreas protegidas?”, o ministro, candidamente(?), responde que a situação se inverteu e que não tem a menor dúvida “que os autarcas olham para estes espaços como diferenciadores em relação aos territórios vizinhos”. Nem de propósito, e sobre a “reversão dos autarcas” invocada pelo ministro, a edição de hoje do “Público”, titula:  “Câmara de Vila Real de Sto António vende terreno para hotel em cima da praia de Monte Gordo. Colado à praia de Monte Gordo, vai surgir um hotel numa zona que estava destinada ao desporto e lazer. Na faixa do lado nascente, mais dois empreendimentos turísticos estão previstos”. Segundo a alegação da providência cautelar avançada pelos moradores, “em causa (..) estará a violação do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Vilamoura-Vila Real de Stº António. Neste documento, afirmam, o que se preconiza é a “requalificação do passeio marginal, não a construção de mais prédios”.

É por demais conhecido, e, infelizmente, visível nos atentados urbanísticos cometidos, que muitos autarcas – como outros agentes políticos – não têm formação nem sensibilidade para entenderem e, como tal, gerirem um património paisagístico diferenciador, e que a alegada vantagem da proximidade, facilmente se transforma em cumplicidade com o regabofe da construção. Olham para as geografias como “um activo” para os cofres bancários, digo, camarários. O lucro só é entendido se for imediato e em milhões, já que é incompreensível se for a longo prazo e se reflectir na preservação inteligente da natureza, o que, para além do lucro imaterial, acabará por dar lucro financeiro, precisamente porque é diferente, e resistiu aos interesses predadores da “indústria do turismo”.

Se o actual sistema que regulamenta os Parques não é adequado, que seja mudado, especialmente no que respeita à sua operacionalidade. Que as autarquias estejam representadas, mas que as decisões finais sejam de um organismo nacional que coloque a preservação (ou seja, o futuro), à frente da potencialidade do “activo”(ou seja, do imediato, “da obra”, para ser elencada nas campanhas eleitorais).

 

João de Mello Alvim

 

*Expresso, 4 de Fevereiro 2017

 

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PSD/Sintra uma estratégia a pensar em 2021

Os efeitos para o PSD/Sintra da luta fratricida que levou à cisão de 2012, foram devastadores para a estrutura e para a influência do partido, mas o anúncio da sua morte foi manifestamente exagerado.  Depois da derrocada, da natural desorientação e debandada – o cimento do Poder era pouco para segurar militantes que só o são quando há benesses –, a estratégia adoptada de arejar a Comissão Política, abrindo-a a elementos que não estiveram no epicentro da cisão, assim como a novos quadros vindos da JSD, foram alterando, paulatinamente, o rumo e a prática política. Por outro lado, a cumplicidade e camaradagem, gerada por anos e militância no mesmo partido, cedo permitiu, por exemplo nas freguesias, o trabalho conjunto, mas não publicitado, com o Movimento Sintrenses com Marco Almeida(MSCMA). Esta conjugação não foi rejeitada pela nova Direcção, que, pelo contrário, prudentemente, a incentivou, ao mesmo tempo que a nível distrital, com reflexos nos organismos nacionais, ia apresentando argumentos para esbater o clima de crispação PSD/MSCMA.

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De realçar no traçar destas novas directrizes que tinham/têm como objectivo central a reconstrução do PSD/Sintra e o regresso à influência no concelho, o papel da actual Presidente da Comissão Política, Paula Neves, que, com o seu perfil discreto e a alegada inexperiência política para o cargo– na altura da sua eleição não faltou quem lhe pressagiasse um papel meramente decorativo…- , tem contribuído para lançar as bases do renascimento do PSD, na base do bom-senso, do saber ouvir e saber dialogar e ainda não caindo no erro de hostilizar, pelo contrário, mantendo por perto, embora afastados dos contactos directos com o MSCM, quadros que estiveram no epicentro da luta fratricida de 2012 (na realidade, começada uns anos antes). Paula Neves e o seu inner circle, sabe(m) que, a apresentação por parte do PSD de uma candidatura própria em Sintra às próximas eleições autárquicas, seria um erro que levaria o partido a mais quatro anos de afastamento do Poder, e ao risco de uma “pasokização” por tempo indeterminado. O apoio a Marco Almeida, dá tempo a acertos e consolidação da estratégia seguida – o esvaziamento do MSCM faz parte, não declarada, da estratégia -, e deixa espaço aberto para que, em 2021, “a carta” possa saltar do baralho…

Neste quadro, que nas próximas autárquicas, beneficia a candidatura de Marco Almeida e o PSD – o partido já declarou o seu apoio à candidatura do independente, sendo impossível contabilizar os votos em cada umas das formações que o apoiam-, permanecem questões por resolver que, curiosamente, vão/estão(a) exigir negociações duras e um bom entendimento Marco Almeida-Paula Neves. Primeiro, no desbloquear do apoio do CDS, ou de alguns militantes deste partido – não sei se os mesmos que, com a cumplicidade do PS, passaram ao jornal online “sintranotícias” a possibilidade do CDS ter, com Teresa Caeiro, uma candidatura própria. Depois, elencar as listas tendo em conta a proporcionalidade do actual peso político de cada formação e as raízes históricas no concelho. Por fim, encontrar “o caminho das pedras” para lidar com a política autista de Passos Coelho. Esta última das resumidas questões, será sem dúvida (um)a grande pedra no sapato, da candidatura do independente Marco Almeida se quiser apresentar uma candidatura ideologicamente transversal, nomeadamente ir buscar votos a eleitores que não se reviam, nem se revêm, no candidato indicado pelo PS/Sintra.

 

João de Mello Alvim

 

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O Hospital em Sintra continua em lista de espera

Os últimos desenvolvimentos sobre a construção do Pólo Hospitalar de Sintra, mantêm o diagnóstico de uma doença infecciosa crónica, identificada há mais de duas décadas. Num prolongado desrespeito pelo utente, as forças partidárias arremessam culpas entre si, como se houvesse inocentes entre as que exerceram o Poder em Sintra, nas últimas décadas. A agravar a infecção, tentam-se ganhos políticos em ano eleitoral. Entretanto o eleitor/utente continua a aguardar horas nas salas de atendimento, e dias, meses, anos nas listas de espera.

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As versões que têm sido dadas para a reviravolta dos proprietários do terreno destinado ao Pólo Hospital, não podem deixar o cidadão perplexo, já que o que estará em causa é a alteração dos alvarás de um terreno inicialmente destinado a espaços verdes, para um espaço destinado à construção do referido Pólo Hospitalar, mantendo-se a função de equipamento público. Juntam-se a esta perplexidade, dúvidas legítimas: quais as razões que levaram os proprietários, através dos seus representantes legais, dar o dito por não dito, em tão pouco tempo, invocando como motivo, para a revogação da “declaração negocial” antes assinada, o se terem sentido pressionados para o fazer?; Conhecendo o conceito de diálogo em democracia do actual Presidente e a sua aversão em ser contrariado, teremos aqui mais um imbróglio provocado por Basílio Horta que está a ser pressionado pelo calendário eleitoral – leia-se aparelho do PS/Sintra?; Porque razão Marco Almeida fala em mais uma trapalhada de Basílio Horta, e não fundamenta a mesma?

Ao contrário do que li, a população de Sintra não anseia há muito por um Pólo Hospitar, mas sim por um Hospital. Mas também, como já escrevi, a possibilidade da construção do Pólo em Sintra, não deve ser rejeitada logo que implique uma política de articulação com “os Centros de Saúde, tendo em conta a sua localização geográfica (…) o apetrechamento humano e técnico dos mesmos, o núcleo de valências, em articulação com os serviços que só um Hospital pode prestar (…) Um pólo não é um hospital e este devia de ser, há décadas, um dos objectivos nucleares de qualquer boa governação para Sintra”(Três Parágrafos, de 20 de Novembro 2016). Nesta questão fulcral, a dos cuidados de saúde, mais do que procurar dividendos políticos é preciso a conjugação de esforços, para encontrar uma solução transitória que acrescente maior qualidade de vida aos sintrenses, sem deixar de ter como objectivo final a construção do Hospital de Sintra.

Quaisquer dividendos políticos que se queiram tirar desta situação, serão devidamente descontados pelos eleitores, que não entendem os zigue-zagues e as minudências desta discussão política, apenas sabem, por experiência própria ou próxima, o que sofrem – para além da dor que os leva a recorrer aos serviços hospitalares, a outra dor que têm de acumular com os tempos de espera e o caos nos serviços. Entrar nesta discussão sem argumentos sólidos, ou invocando o passado, para além de gerar cansaço e descrédito, conduz a uma armadilha que se pode virar contra quem eventualmente a montou, ou provocar danos políticos graves, a exigir hospitalização, em quem ela cair – o que não é nada desejável atendendo à falta de um Hospital em Sintra…

 

João de Mello Alvim

 

* Eu sei que, para além do temperamento, a formação política de Basílio Horta, por mais que a queiram enterrar, não espera pelo terceiro dia para ressuscitar e dificulta qualquer discussão democrática.

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A Maria Almira faz parte do Património Cultural de Sintra

Faz, no próximo dia 18, um ano de silêncio sobre a morte, física, da Maria Almira Medina. Palavras sentidas e outras de ocasião, foram proferidas, mas acções concretas para preservar a memória tangível desta sintrense adoptiva, perderam-se nos labirintos das intenções. Se não se pode atribuir a responsabilidade ao Executivo em funções, este não está isento pela ausência de uma estruturada política cultural que vá além da árvore das patacas do turismo, do entretenimento, enfim da política dos três cês: cortar, controlar e condicionar.

maria-almira(Maria Almira Medina em 2008, junto do Chalet da Condessa, numa acção em defesa da sua recuperação)

 

Não é minha intenção falar sobre a Mulher nem sobre a criadora multifacetada que marcou a vida social e cultural em Sintra durante décadas e décadas. Outros já o fizeram, e bem, chamando a atenção para essas marcas que ultrapassavam a geografia sintrense. As suas relações com o movimento surrealista, neo-realista e desalinhados, a produção poética e de artista plástica, a sua intervenção política e cívica proporcionaram-lhe todas as condições para a afirmação no panorama da cultura nacional. Mas a irrequieta, a indomável e, por vezes, teimosamente irritante Maria Almira, optou por Sintra e em Sintra ergueu o grosso da sua obra.

De todo este labor, muitos foram os privilegiados que dele comungaram – reivindico o meu quinhão muitas vezes ganho à custa de fortes discussões que tanto eclodiam como passavam, como trovoadas de Maio. Mas quem mais ganhou foi Sintra por contar, entre os seus, com uma personalidade tão marcante, com uma obra cívica e artística, tão variada. A Maria Almira fazia/faz parte do Património Cultural de Sintra, do património cultural edificado, não em pedra, mas em acções, palavras, telas, papel, tapeçarias e sei lá que mais.

Depois de um ano de silêncio, se a memória intangível perdura, grande parte da memória tangível está encaixotada num armazém de um amigo da família, em Fação. Desafinações familiares criaram este impasse, a passividade do Executivo alimenta-o. Naturalmente que não se pode imputar a responsabilidade a este último pois, a vontade e acerto de vontades na família, está a ser um factor bloqueador. Nem também defendo que cada personalidade marcante da vida sintrense, que deixe um espólio variado e único, tenha a sua casa-museu, a não ser, como acontece, com espaços que anteriormente serviam de residência – lembro-me do Mestre Anjos Teixeira, de Leal da Câmara e aceito a excepção de Ferreira de Castro. Mas uma política cultural concebida como bem necessário para o desenvolvimento da comunidade, e, como tal, que não seja decidida pelo deve-e-haver das finanças (como é a política dos “três cês”, implementada pela actual “comissão liquidatária”, Basílio Horta/Rui Pereira), devia mediar, situações de impasse como a do espólio de Maria Almira Medina, e accionar e dinamizar uma Casa-Museu de Vidas (há tantos espaços camarários, desaproveitados ou sub-aproveitados por esse concelho fora) para acolher espólios raros como o da Maria Almira ou do poeta Ruy Belo – que também tem parte encaixotada na sua antiga casa em Monte- Abraão.

 

João de Mello Alvim

Foto de Pedro Macieira

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A política cultural dos “três cês”, em Sintra

 

O congelamento do Prémio Nacional de Artes do Espectáculo Maria João Fontaínhas (PNAEMJF), resume o estado errático, economicista e prepotente, da actual política cultural em Sintra. Que me lembre, só recuando ao início dos anos 90, ao mandato de Rui Silva, é que encontro paralelo com este panorama nebuloso e tenebroso. A diferença é que, na altura, a iniciativa cultural era, essencialmente, municipal e agora a oferta dos agentes privados cresceu de forma substancial*. Mas o objectivo de municipalizar a cultura é o mesmo. Estamos na presença de decisões de uma espécie de “comissão liquidatária” que se rege pela directiva dos “três cês”.

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O prémio, com o nome de uma das primeiras actrizes profissionais que se formou e exerceu a sua profissão em Sintra – onde precocemente veio a falecer -, foi lançado por iniciativa do Chão de Oliva em colaboração com Câmara local. Destinava-se a incentivar o aparecimento de novas peças de teatro e marionetas, assim como guiões para dança, espectáculos musicais e performances. Para além da atribuição de um valor monetário ao vencedor (da responsabilidade da CMS, que tinha um elemento presente no Júri)**, a proposta escolhida tinha de ser concretizada em palco por um dos grupos da associação co-promotora, ou então produzida por esta associação – caso da proposta saísse do âmbito do teatro ou marionetas.

A decisão de congelar o PNAEMJF consubstancia a orientação política para a cultura da actual dupla Basílio Horta/Rui Pereira assente nos “três cês”: cortar ao máximo os apoios à actividade cultural, essencialmente à desenvolvida pelos agentes culturais. Esta prática rejeita regulamentos (que possam imprimir transparência), previamente discutidos pela comunidade e aprovados por quem tem a decisão política, como foi prometido durante a campanha eleitoral***, e deixa campo aberto ao livre arbítrio, ao controlo pelo “gosto artístico do vereador” e, eventualmente, às suas simpatias pessoais. É que se para Basílio Horta a Maria João não lhe diz nada, como não lhe diz nada a história e a variada actividade cultural sintrense****, já Rui Pereira, é praticamente da mesma geração da Maria João e, quem a conhecia, sabe que não era mulher para reverências aos transitórios do Poder. Será que a Maria João Fontaínhas está a pagar pelo fez ou, pior, pelo que não fez segundo as bitolas desta “comissão liquidatária”?

Os cortes e o controlo, condicionam (o terceiro cê) o trabalho dos agentes culturais. Condicionam em afirmação, crescimento e sustentabilidade um serviço público que leva anos e anos a construir. Neste quadro, é de saudar o bom acolhimento da Assembleia da União de Freguesias de Sintra de uma proposta, no sentido de esta autarquia tomar como sua a iniciativa de relançar o Prémio. Naturalmente que os representantes do PS, alinhados com o chefe da concelhia, o vereador Rui Pereira (quem tem cargo, tem medo), não aplaudiram a proposta. Como escreve Dostoievski, in “Crime e castigo”, “(…) no meio disto tudo, o que é mais odioso? Não é estarem a errar, os erros são sempre desculpáveis, têm de existir, porque são os erros que levam à verdade. O que é realmente odioso é estarem em erro e, ainda por cima, venerarem os próprios erros.”

 

 

João de Mello Alvim  #  blog Três Parágrafos

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* Não dando conta  de que estão a dar tiros no pé, alguns políticos, desde os que sempre viveram do erário público e assim se tornaram “pesos-pesados”, da intriga e do  património pessoal acumulado, até aos decorativos, “senha-de-presença- dependentes”, designam estes agentes culturais como subsídio-dependentes. A este tema voltarei.

**Pelas minhas contas este Prémio, o máximo que custou à CMSintra foi 6 000 euros, somando o prémio monetário e pagamento ao elemento convidado para o Júri – os restantes elementos, designados pela autarquia e pelo Chão de Oliva, não eram pagos A última edição(2012), que não teve vencedores, custou zero euros (zero). A edição do PNAPMJF, era bienal.

***Mão amiga assegura-me que existe a gravação integral do debate sobre cultura realizado na Casa de Teatro de Sintra, em vésperas das eleições de 2013 e onde, tudo o que foi dito pelo candidato Rui Pereira, é desmentido pela prática do eleito Rui Pereira…

**** Só lhe interessa os grandes nomes da criação artística mundial que ele, como prometeu, tem trazido, regularmente, a Sintra…Em três anos, não veio um! É obra!

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