Marco Almeida encabeça uma candidatura sem ideologia, a Sintra?

 

Se não estiverem filiados em partidos, e mesmo que não sejam apoiados por partidos, os candidatos a sufrágio autárquico devem defender ideologias, ou estas são um exclusivo dos candidatos partidários? E governar com ideologia, obstaculiza a governação e o encontro de soluções práticas para o bem-estar dos cidadãos? É possível separar a realidade do dia-a-dia dos cidadãos de ideologia, e encontrar soluções para essa realidade (por exemplo a económica, social e cultural) numa espécie de deserto ideológico, como se esse “caminho no deserto” não fosse ele mesmo uma opção, ideológica. Não se está a confundir ideologia construída sem preconceitos e transversal, com opções partidárias amarradas a opções ideológicas cristalizadas. Mas afinal o que é a ideologia?

Há várias interpretações do que é “a ideologia”, seja por raízes históricas (das quais tantas vezes só sobra o nome…), seja como um sistema de opções políticas preferencialmente a favor de um grupo social. O certo é que a ideologia, seja ela qual for, é uma forma de pensar e organizar a governação de uma comunidade. Por consequência, um bom governo tem de ser ideológico por natureza. Governar nas autarquias com ideologia, é saber o que se quer para o território. Governar sem ideologia é fazê-lo em função de interesses pontuais, dos estímulos externos, é navegar à vista. Os cidadãos conscientes e participativos dificilmente aceitarão serem governados por políticos sem ideologia, já que a mesma substancia o eixo central e catalisador da perspectiva, e rumo, do trabalho para a sua comunidade.

Por estas razões, o candidato independente Marco Almeida, lançou a confusão e justificadas dúvidas, ao postar no seu mural do Facebook (15 de Abril último), a propósito da trapalhada arrogante e politicamente serôdia, que Basílio Horta criou com a majoração do IMI para casas degradas: “O nosso concelho precisa de uma gestão humanista. Não de ideologia, mas de proximidade e de compreensão perante as dificuldades que as nossas comunidades enfrentam”. Mas a gestão humanista e de proximidade, não é uma opção ideológica para trabalhar com as comunidades? Não está o candidato a confundir opções ideológicas sem preconceitos e transversal, com opções partidárias amarradas a opções ideológicas cristalizadas e/ou desfasadas do rótulo?

 

João de Mello Alvim

 

Publicado em Política | Etiquetas , , , , , , , | 1 Comentário

Depois de atear o fogo,mais um recuo de Basílio Horta.

 

Depois de em reuniões de câmara se ter apoiado em certezas de sentido único, apoiadas numa argumentação desarticulada, e temperada pela sua proverbial arrogância política, o actual Presidente do Município de Sintra indicado pelo PS, fez mais um número de contorcionismo, lançou ameaças para dentro do aparelho camarário e, pelo meio de uma pindérica cortina de fumo fez o habitual recuo político. Desta vez, em causa estava o que a oposição e o bom-senso recomendavam há já algum tempo, ou seja, a revisão dos critérios que agravavam em 30%, o IMI de prédios que alegadamente se encontram degradados, sendo que muitos dos proprietários não foram sequer notificados pelos serviços camarários que viviam numa casa considerada degradada.*

burocracia

Se estivéssemos em presença de um responsável político com conhecimento, no terreno, da realidade do concelho, assim como pela capacidade de ouvir e criar os consensos possíveis na governação, seria de saudar esta atitude de Basílio Horta. A questão, e o ridículo da mesma, é que estamos na presença de um Presidente que não tem (quererá ter?) estes atributos e só recua, como aconteceu de outras vezes, quando “o acampamento está a arder”. Então de pirómano, passa a bombeiro de rescaldo, como ilustram estas suas palavras à TSF: “(…) “Quando vi diversos casos, entendi que não podia manter inalterável a situação que estava”, explica, “o dever da câmara é proteger os munícipes, o que tem feito desde o primeiro dia. Por isso, não podíamos consentir que os nossos munícipes estivessem a pagar um IMI maior em situações que não eram devidas”. Acontece que, durante a entrevista à TSF, Basílio Horta foi confrontado, no essencial, com a posição expressa num comunicado do Movimento Sintrense com Marco Almeida, comunicado que reflectia a posição deste Movimento nas reuniões de Câmara, e em outras intervenções –  o jornalista esteve muito mal, pois não indicou a fonte em que se apoiava para fazer as perguntas.

Embalado por uma espécie de senda justiceira, Basílio Horta proclamou aos microfones da rádio, que tinha decidido anular todos os processos de agravamento do IMI de 2017 e que as pessoas iriam receber aquilo que pagaram a mais nas Finanças. Ora esta “proclamação” levanta algumas dúvidas, nomeadamente a de saber até que ponto o Presidente tem poder para tomar, por si, esta decisão, e também, porque razão o não fez antes, confrontado que foi com os argumentos apresentados à mesa das reuniões camarárias, no dia anterior. Mas, para quem conhece o “estilo Basílio Horta”, o melhor estava guardado para o fim, quando o mesmo sentenciou: “Quando há erros, emendamo-los. Não os justificamos”. Bem prega Frei Tomás…

 

João de Mello Alvim

 

 

* “Foi com surpresa que João Pintassilgo descobriu que a casa onde vive foi classificada como degradada. Quando recebeu a nota de pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis, no início do mês de abril, reparou numa sobretaxa de 30%”.Ler mais: http://www.tsf.pt/sociedade/interior/era-simpatico-ser-avisado-que-vivo-numa-casa-degradada-6218535.html

 

Mais informação:

http://www.marcoalmeida.net/actualidade/noticias/movimento-scma/427-br

http://www.tsf.pt/sociedade/interior/camara-de-sintra-vai-anular-11-mil-processos-de-agravamento-do-imi-6219427.html

 

 

Publicado em Política | Etiquetas , , , , , , , , | 1 Comentário

Nos cofres dos bancos, ou em imparidades da CGD, milhões são “PEANuts”, em Sintra

 

O jornal online “Economia e Finanças”*, noticiava no último dia de 2016, que o “ Decreto-Lei n.º 191/2014  publicado no último dia de 2014 pelo Ministério da Economia no Diário da República veio estabelecer, “um regime especial de contratação de apoios e incentivos aplicável exclusivamente a grandes projetos de investimento enquadráveis no âmbito das atribuições da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, AICEP”. O articulista acrescentava que “(…) A AICEP será a entidade competente (com poder para delegar ou convidar outras entidades a participar) para celebrar contratos com os promotores definindo contrapartidas, estabelecendo os contratos, decidindo sobre os projetos e sendo parte em eventuais renegociações”. Esta função da Agência, já estava regulamentada desde a publicação do Decreto Lei de 2008, em relação aos  Projectos de Potencial Interesse Nacional(PIN), criados em 2005.

imparidades

A criação dos PIN, levantou sempre sérias reservas e persistentes denúncias dos partidos à esquerda do PS, que viam nesta decisão do governo de José Sócrates, uma cedência aos grandes interesses económicos, particularmente na área do turismo, levando a desafetação de áreas classificadas, com ganhos elevados, sendo que muitos deles eram verdadeiros atentados contra o ambiente e ordenamento do território. Os “Verdes” (DN, 23Fevereiro 2012) referiam que os PIN, “não protegem o interesse nacional, mas sim o interesse dos grandes grupos”. O Bloco de Esquerda, num Projecto de Lei de 2009, apresentado ao Plenário da AR, para revogação da legislação que suportava os PIN, justificava que  :”(…) A existência de um regime de excepção na articulação de projectos de investimento com a administração pública e com os procedimentos legais e regulamentares existentes coloca logo à partida questões sobre a sua legitimidade. O Estado é obrigado a tratar todos os cidadãos por igual: a legalidade democrática assim o impõe. Mas ao criar este regime dos PIN e PIN+ está a criar um sistema de privilégios acessível só a alguns, o que até cria condições de concorrência desleal no investimento”. E mais à frente: “(…) Já Basílio Horta**, no dia 17 de Março de 2009, referiu que todos os projectos de investimento poderiam ser considerados estruturantes para a economia portuguesa, “mas temos de viver com o país que temos, com a burocracia que temos”, o que justifica a criação deste regime de excepção. Do nosso ponto de vista, a correcção das debilidades da administração pública devem ser para todos por uma questão de elementar justiça”***.

Nos últimos dias, os PIN voltaram a fazer parte dos noticiários, a propósito das imparidades da CGD (cito o site da RTP): “ a CGD reconhece que perdas com empréstimos que não são pagos podem ultrapassar os 3 mil milhões de euros. Entre os principais projectos ruinosos estão investimentos no grupo La Seda, que está insolvente, no empreendimento Vale do Lobo e na unidade Pesca Nova – projectos considerados de interesse nacional(PIN) pelo governo de José Sócrates”. E o que é mais estranho, ou não será conforme o ponto de vista, é que perante esta situação, a relação entre a AICEP e a banca, independentemente de ser pública ou privada, é, até à data, uma matéria que a comunicação social e as sucessivas Comissões Parlamentares de Inquérito – como a que decorre actualmente – têm dado pouca importância.

Navegamos assim, com naufrágio anunciado, nos mares dos milhões, coisa que, por exemplo, os sintrenses conhecem bem do argumentário político-partidário local, com especial ênfase desde que a Câmara é liderada pelo antigo Presidente da AICEP.

 

 

João de Mello Alvim

 

 

*http://economiafinancas.com/2014/apoio-grandes-projetos-de-investimento-com-novo-regime-especial-decreto-lei-n-o-1912014/

**O Dr. Basílio Horta foi Presidente da AICEP, entre Julho de 2007 e Junho de 2011, por nomeação, e recondução no cargo, pelo então primeiro-ministro, José Sócrates.

***http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c3246795a5868774d546f334e7a67774c336470626d6c7561574e7059585270646d467a4c31684a4c33526c6548527663793977616d77304e6931595353356b62324d3d&fich=pjl46-XI.doc&Inline=true

**** http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/armando-vara-decisao-de-credito-a-vale-do-lobo-foi-tomada-por-unanimidade-na-caixa-136676

 

Publicado em Política | Etiquetas , , , , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Que é feito da “cidade Sonae”, defendida por Basílio Horta?

 

É um projecto que se arrasta desde finais dos anos 90 do século passado, que emerge e submerge, mas, garante quem sabe, não está encerrado. Pode, a concretizar-se, ser mais uma prova da resistência ao trabalho planificado pela maior parte das autarquias e ainda da sofreguidão pelo efeito do imediato, em detrimento do futuro. Duma pretensa modernidade bacoca, que acirra a acefalia do consumismo desenfreado, que não tem em consideração o desenvolvimento sustentado das regiões, e onde quem ganha são os grandes interesses económicos, geralmente em desfavor da qualidade de vida das populações.

imagem CMS, publicada no Público de 7 de Janeiro de 2015

Segundo o jornal “Público” de 7 de Janeiro de 2015, escrito pelo jornalista (digno do nome) José António Cerejo, “(…) aos actuais Fórum Sintra, Sintra Retail Park, Leroy Merlin, Staples e Decathlon, e ao já aprovado Jumbo, todos eles no termo do IC19, entre Rio de Mouro e Ranholas, deverá juntar-se um novo centro comercial da Sonae (grupo proprietário do PÚBLICO). O estabelecimento, que terá uma área de construção próxima dos 35 mil m2, perto do dobro da do futuro Jumbo, funcionará como a âncora de um território de mais de 70 hectares, a que Basílio Horta, o autarca de Sintra, tem chamado Cidade Sonae”. De então para cá, o Jumbo já foi construído, e o Plano de Pormenor da Abrunheira Norte está em banho maria, graças à forte oposição e resistência da população**. Por outro lado, a bizarra ideia de uma Sintra dos Pequeninos não passou(?) da bizarria*, e a então Directora Municipal de Planeamento, Ana Queiroz do Vale, ao que consta com as orelhas a arder***, ficou sem o Planeamento e trata agora só do PDM. Do auto anunciado candidato do PS às próximas eleições autárquicas, nunca mais se ouviu uma palavra sobre a Cidade Sonae. Mais uma derrota? Se foi assim, ainda bem, pelo futuro de Sintra e da qualidade de vida dos sintrenses que em Sintra continuarão depois de acabada a comissão de serviço de Basílio Horta.

Os contornos, conhecidos, da crismada “cidade Sonae”, são um exemplo eloquente do que não se deve fazer na gestão de um território que é habitado por pessoas, pormenor que o PS/Basílio Horta tem tendência a esquecer. Desde logo porque desafia qualquer planificação das linhas estratégicas do território, assim como, no caso especial de Sintra, a harmonização e a defesa do Património natural e edificado, com novas necessidades construtivas. Isso se vê, caso seja aprovado o projecto, na referida proximidade da zona tampão à Serra, e ainda na concentração, numa área geográfica relativamente reduzida, de quase todas as marcas de grandes superfícies comercias na versão hipermercado. A agravar a situação e a incapacidade(?) deste, e na verdade se diga, de outros Executivos, está a questão da acessibilidade e mobilidade, que é (sempre) colocada ao contrário. Primeiro constrói-se, depois logo se vê como se resolve o problema viário, sendo que neste caso, a sobrecarga vai para o já entupido IC19.

Que “moderação e negociação”, se esconderão sob nomes pomposos, como este da “cidade Sonae”, que levou o recandidato do PS às próximas autárquicas, a declarar:” “Não podemos querer a cidade sem a parte comercial. Não pode ser porque é a Sonae que vai fazer o investimento directo e fomentar o resto. Temos de moderar, negociar, mas na minha opinião devemos ter aquela cidade, que muda muito a freguesia e é importante em termos de receitas”. Para acumular os parados milhões que estão depositados nos bancos?**** Que “moderação e negociação” é esta, que não tem em conta o concelho como um todo sinergético e parece ir a reboque dos interesses dos grandes grupos financeiros – este projecto, sem o ridículo Parque Temático, da Sintra dos Pequeninos, não podia ser uma boa alavanca de desenvolvimento da zona norte do concelho, servindo de ligação, harmoniosa, entre o rural e o urbano e com duas AUGI`s para resolver, nas Uniões de Freguesias de Almargem do Bispo, Pero Pinheiro e Montelavar e também na de S. João das Lampas e Terrugem?

 

 

João de Mello Alvim

 

 

*Num post publicado no Facebook, escreveu João de Oliveira Cachado: “Para anedota mais acabada que já vi figurar num projecto, lembro-lhe o da Cidade Sonae, que pressupunha a concretização de um parque temático com uma designação qualquer parecida com ‘Sintra dos Pequenitos’ (provavelmente, inspirada no ‘Portugal dos Pequenitos’ que a Fundação Bissaya Barreto implantou em Coimbra noutras eras e que, ainda hoje, tanto sucesso tem). O objectivo, pasme-se, era levar as pessoas a um recinto onde, em réplicas-miniatura, principalmente as crianças, poderiam «visitar» os monumentos que, bem reais, estavam a mais ou menos algumas centenas de metros… E o projecto chegou a ser defendido pelo Dr. Basílio Horta, pelo seu executivo e técnicos municipais”.

** https://www.change.org/p/sr-presidente-da-c%C3%A2mara-municipal-de-sintra-exigimos-que-n%C3%A3o-seja-permitida-a-constru%C3%A7%C3%A3o-da-cidade-da-sonae-em-sintra

***Não seria de admirar se tal fosse verdade. Teria ficado entalada entre as directivas do Presidente da Câmara, e o presidente da concelhia, e vereador do Desporto, Juventude e Turismo, que sempre resistiu a esta acumulação de funções, provavelmente por ter outros nomes para o lugar.

****Segundo comunicado da oposição, Movimento Sintrenses com Marco Almeida, de 30 de Março último, e ainda não desmentido pelo Executivo PS/Basílio Horta, o “saldo de gerência em 2016 (…) quase chega aos 75 Milhões€ o investimento quedou-se pelos 9 Milhões”. É obra!

 

Publicado em Política | Etiquetas , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Quo vadis esquerda, em Sintra?

 

Com o PS a inclinar para o cepo um cabeça de lista da direita dos negócios, e uma candidatura independente com apoios, essencialmente, de cento-direita, que escolha terá um eleitor de esquerda que não seja militante do PS*, do PCP nem do Bloco de Esquerda nas próximas eleições autárquicas, em Sintra?

encruzilhada de flávia_link

O cabeça de lista que o PS/Sintra (re)indicado para disputar a presidência da Câmara, pelo seu passado político e concepção muito própria do exercício do Poder Autárquico – contra o qual votou desfavoravelmente, na Constituinte -, macula a candidatura e afasta muitos socialistas, militantes ou simpatizantes. O seu desempenho destes quase quatro anos, demonstra um entendimento refratário à pluralidade de opiniões. Afasta, sistematicamente, os eleitos que não fazem parte do vigente acordo de governação de tomadas de decisões políticas, quando, pela importância das mesmas e reflexo na vida dos sintrenses, a sua inclusão é do mais elementar bom-senso. Do mesmo modo, tem demonstrado uma evidente falta de capacidade para executar uma governação planificada, assim como uma visão economicista da política, que se reflecte mais nos milhões das contas bancárias, do que no bem-estar da população*.

Por outro lado, já depois de lançada, a recandidatura do independente Marco Almeida(MA) teve o apoio da sua família ideológica e ainda de socialistas organizados num pequeno movimento, assim como de personalidades conhecidas pelas suas posições de esquerda, o que não chega para ser um movimento transversal. Alguns erros cometidos, como por exemplo, a escolha, precipitada, de Carmona Rodrigues para coordenador do programa, ou a “troca” de António Capucho por Ribeiro e Castro, contribuíram para criar desconfianças entre nos eleitores de esquerda indecisos. No entanto, a argúcia política que MA tem demonstrado, pode contribuir para clarificar que se trata de eleições autárquicas e não nacionais, e tornar inequívoca a demarcação com o “pafismo”. A abrangência e sensibilidade social do programa, a ser apresentado, e as expostas divisões dentro da esquerda, poderão contribuir para o alargamento da referida transversalidade.

No entanto, com estes dois candidatos, muitos eleitores de esquerda, mesmo tendo em atenção que se trata de eleições locais onde se destaca o perfil político do cabeça de lista, o seu conhecimento e relação efectiva e afectiva com o território, continuam “órfãos”, apesar da recentemente anunciada candidatura da CDU (Pedro Ventura) e do anúncio, para breve, do cabeça de lista do BE (uma surpresa?). Se o PCP aposta no mesmo candidato de 2013, sabendo à partida que a sua eleição como vereador está garantida, já da parte do BE, mesmo que seja anunciado um nome com créditos indiscutíveis em termos nacionais, o há muito diagnosticado frágil enraizamento deste partido no trabalho de base no concelhio, dificilmente contribuirá para alterar substancialmente os resultados. E, substancialmente, seria a eleição de um vereador, assim como o aumento da representação na Assembleia Municipal e nas Freguesias.

A questão que mais agudamente se coloca aos eleitores de esquerda não militantes (ou militantes com autonomia de pensamento e acção), do PS ao BE, é a de tentar perceber porque razão, neste quadro em que o PS oficial se auto-exclui com a indicação de um cabeça de lista da direita dos negócios, não é possível a CDU e o BE construírem, com base nos seus programas que em pouco se diferenciarão, uma alternativa de esquerda credível e exequível. Isto num concelho que, desde que há eleições, sempre foi governado ora pelo PSD, ora pelo PS, sendo que o CDS e a CDU raramente estiveram de fora… Ou será que este último facto é o elemento bloqueador de um acordo à esquerda? E se o é, não se está a tempo, e num tempo político, oportuno para o debater e ultrapassar? Não é importante que a esquerda esteja representada, autonomamente e com força política, na mesa dos vereadores eleitos? Ou será que desta incapacidade da esquerda se unir, vão sair os votos que determinarão a victória de um dos outros dois candidatos, Basílio Horta ou Marco Almeida? Quo vadis esquerda, em Sintra?

 

João de Mello Alvim

 

 

*Ou mesmo sendo militante não se reveja nesta PS/Basílio Horta

** Isto já para não falar no ridículo de, nas raras presidências abertas, excluir os vereadores eleitos pelo Movimento Sintrenses com Marco Almeida, ou seja, a oposição.  Tem sido um exercício de mandato de um Presidente que nada tem a ver com os princípios fundadores do socialismo e, mais grave, não governou para todos os sintrenses – as Uniões de Freguesias cujos Executivos não são do PS/Basílio Horta, estarão em boas condições de confirmar ou desmentir o que escrevo.

Quao vadis esquerda em Sintra (edição em PDF)

Publicado em Política | Etiquetas , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

Mais um auto-golo de Basílio Horta na sua recandidatura, a Sintra

 

A prestação de Basílio Horta (BH) no programa da Benfica TV foi, politicamente, patética. Colocado em frente ao anterior Presidente da Câmara, responsável, segundo Basílio e correlegionários, pelo “12 anos em que Sintra esteve abandonada”, o recandidato* indicado pelo PS/Sintra, elogiou os 12 anos de desempenho de Fernando Seara, e desejou ter os mesmos êxitos que o seu antecessor. Não apontou erros de gestão, engoliu em seco a afirmação, mordaz, de Seara quando este disse ter deixado o concelho com todas as condições para o novo Presidente fazer o que entendesse e, com a sua prestação, voltou a fazer corar de vergonha os socialistas sintrenses – porque os há, estão é em módulo de hibernação.

naom_52e68ee0ebbc3

Vi duas vezes o programa na íntegra, e para além de identificar uma nítida estratégia concertada antes do início da gravação, constatei que Basílio Horta mais uma vez provou ser, numa apreciação bondosa, um político inábil, cuja apregoada frontalidade política se esvanece diante das dificuldades, pois tinha uma oportunidade soberana, aos olhos da “nação benfiquista” para desmontar o que tem dito publicamente sobre o desgoverno e a inacção, do “careca do Benfica” quando este esteve à frente da Câmara de Sintra. Numa primeira parte, falou da sua carreira política, evidentemente narrada numa perspectiva branqueadora das suas ligações à União Nacional fascista e ao posicionamento da CDS do espectro partidário pós-25 de Abril, passando pela Constituinte** até à sua colagem à ala direita do PS, e indicação como candidato à Câmara de Sintra. Numa segunda fase, e perante a pergunta do moderador sobre como avaliava os mandatos de Fernando Seara (os famosos 12 anos em que nada foi feito, como reza o slogan e escrito está nas actas de reuniões, tanto do Executivo como da Assembleia Municipal), BH, recuou e não foi coerente com o discurso de três anos, dele e dos seus correlegionários. Que credibilidade pode ter um político como este, que diz uma coisa nas costas e outra na frente do seu antecessor?

Para espanto de quem se espanta com aquilo que alguns políticos entendem o que é a Política, BH disse:  ”O dr. Fernando Seara geriu Sintra no seu tempo, eu estou a gerir Sintra no meu tempo. A verdade é que um Presidente de Câmara que eleito por maioria absoluta por duas vezes, é porque tem mérito. Isto chega-me. Portanto, encontrei Sintra gerida pelo Dr. Fernando Seara que eleito por duas vezes por maioria absoluta, agora o que ele fez, e é uma coisa muito importante, foi não ter estragado Sintra de maneira nenhuma. Quando ele dá aquela orientação “já chega de betão!”, é uma orientação que salva muita coisa em Sintra. Muita coisa. Como é que eu podia gerir hoje se ele não tivesse feito isso na altura? Portanto há aqui uma continuidade nesse domínio e depois pois claro, cada um tem o seu estilo coloca o seu cunho pessoal a vida é outra, o país é outro, o ambiente é outro a realidade é outra e eu só espero ter o mesmo êxito que ele teve”. Não é preciso ser mosca, para imaginar a cara dos indefectíveis da actual gestação e dos propagandistas da cassete dos “12 anos sem obra”. Nunca o nome de um programa de TV – “Jogo limpo” – lhes devia ter causado tanta perplexidade.

Há tempos, neste mesmo espaço, escrevi que, face aos desaires protagonizados por BH na tentativa de bloquear o apoio do PSD e do CDS à candidatura do independente Marco Almeida, a estratégia do PS/Sintra iria mudar, centrando-se mais na catadupa de obras (em algumas freguesias…), e anúncios de projectos, mais dinheiro para apoios, visitas ministeriais, etc, do que nos “12 anos sem obra”. O que nunca pensei foi que este argumento fosse convertido, por Basílio Horta, no seu contrário, ou seja, em elogio. Isto numa televisão, em frente do principal responsável pela propagandeada inacção, o ex-presidente Fernando Seara.

Por parte deste, a atracção pelo jogo de sombras continua: convidou o “benfiquista ilustre” Basílio Horta, para o seu programa no Benfica TV; ouviu-o a tecer elogios ao seu desempenho de 12 anos e, mantendo um registo complacente, temperado por uma pitada-frase de efeito, nunca elogiou o trabalho em Sintra do seu sucessor e recandidato. Mexendo-se no mundo dos estúdios televisivos como peixe na água, Fernando Seara chamou a si a atenção da câmara (de filmar) número 1, para, num aparente mergulho de socorro, afundar ainda mais Basílio Horta com uma tirada, salgada: “O mais importante da vida é a força do mar e não a espuma das ondas”. Para este admirador de Maquiavel, a frase sibilina, não foi proferida ao acaso***. Caberá ao espectador, e especialmente ao eleitor, perceber e escolher “a força do mar” e/ou “a espuma das ondas”.

 

 

João de Mello Alvim

 

 

*Que eu saiba, ainda não anunciada oficialmente. Devia ter sido o entusiasmo de estar na Benfica TV que o levou a assumir.

** Não o ouvi referir que votou contra Constituição que consagrava o Poder Autárquico.

***As conjecturas sobre as razões que levaram Fernando Seara a convidar Basílio Horta para o “Jogo limpo”, davam outra crónica.

 

Para ver o programa “Jogo limpo”, completo: http://sintranoticias.pt/2017/03/14/basilio-horta-fernando-seara-juntos-falam-sintra/

Publicado em Política | Etiquetas , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Mais uma derrota da recandidatura de Basílio Horta, a Sintra

 

Se internamente, a preparação da recandidatura de Basílio Horta às próximas autárquicas em Sintra (que é certa por mais “fugas de informação” que sejam sopradas em sentido contrário), não decorre no clima mais consensual, na manga, ou em cima da mesa, há cartas para jogar até ao inicio da vindima. O objectivo é claro e público – enfraquecer a candidatura do independente Marco Almeida -, mas, até agora, a inabilidade política e entendimento peculiar de democracia do actual Presidente, ou a esperada manutenção das regras para as eleições, têm desferido sucessivos golpes no sucesso da recandidatura.

no-te-juzgues

(imagem  no-te-juzgues)

 

É que, se internamente os sinais de descontentamento e as tímidas discordâncias com a forma de conduzir o processo, começam a ganhar mais força sem, no entanto, tomarem corpo de confronto*, a recente aprovação (com votos contra do PSD, PCP e PEV) em Plenário da Assembleia da República das novas regras para as eleições autárquicas, rebentaram mais um dos elos em que assenta a estratégia delineada por Basílio Horta.

E aprovado foi que, ao contrário do que acontecia até aqui, as candidaturas independentes “podem ser alteradas, por substituição de candidato quando se verifique a morte, desistência ou inelegibilidade dos candidatos, até um terço dos efectivos sem que seja necessário voltar a apresentar os nomes”. Mas, mais frustrante para a recandidatura, foi aprovado que “as candidaturas independentes passam também a poder utilizar a sigla e símbolo que não se podem confundir com os dos partidos ou outros grupos de cidadãos, deixando de ser identificadas pela numeração romana”.

Se, com a primeira medida, foi corrigida uma injustiça para com as candidaturas independentes, já que a anterior lei não se aplicava aos partidos, a segunda alteração dá “rosto gráfico” às candidaturas independentes – em detrimento dos símbolos dos partidos apoiantes -, o que resulta em mais uma machadada no argumento de que, em Sintra,  Marco Almeida é candidato do PSD-mau, porque só seria do PSD-bom, se aspergido por Basílio Horta e pelo PS/Sintra, com o qual estabeleceu em 2013 um acordo de governação, que ainda vigora.

 

 João de Mello Alvim

* Refiro-me, por exemplo, aos ensaios sobre a formação da lista para o Executivo, onde Rui Pereira, e o seu “inner circle”, parecem não estar a conseguir impor os seus argumentos e alinhamento de nomes e, ao que parece, manter a influência política junto do recandidato, agora em rota de aproximação a Domingos Quintas – entregue que está, por relevantes serviços prestados, o primeiro nome da lista à Assembleia Municipal. A ver vamos, até porque a ser verdade esta “reviravolta de ingratidão”, pode vir a concretizar-se o ditado, “não há ponto, sem nó”…

 

 

 

Publicado em Política | Etiquetas , , , , , , | Publicar um comentário